Conduta no HIV Pós-Violência Sexual: Guia Prático

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 21 anos de idade comparece em consulta na Unidade Básica de Saúde em que você trabalha, relatando que ontem à noite foi vítima de violência sexual. Está bastante abalada, nervosa, não faz uso de nenhum contraceptivo e não tem comorbidades conhecidas. Não sabe a data da sua última menstruação e deseja receber todos os tipos de atendimentos cabíveis. No atendimento inicial, a paciente apresentou teste rápido positivo para HIV em duas amostras. Qual é a conduta nesse caso?

Alternativas

  1. A) Solicitar carga viral e contagem de CD4 e iniciar tratamento com lamivudina + efavirenz.
  2. B) Solicitar genotipagem e iniciar tratamento com lamivudina + zidovudina + tenofovir.
  3. C) Solicitar carga viral e contagem de CD4 e iniciar tratamento com lamivudina + tenofovir + dolutegravir.
  4. D) Solicitar genotipagem na urgência e iniciar tratamento com zidovudina + efavirenz.
  5. E) Solicitar carga viral e contagem de CD4 e iniciar tratamento com efavirenz + tenofovir.

Pérola Clínica

HIV+ em violência sexual → Iniciar TARV imediatamente (TDF + 3TC + DTG) após coleta de CD4/CV.

Resumo-Chave

Diante de um diagnóstico novo de HIV (mesmo em contexto de violência), a conduta é o 'Test and Treat': solicitar exames de base e iniciar a TARV padrão imediatamente.

Contexto Educacional

O atendimento a vítimas de violência sexual exige uma abordagem multidisciplinar e ágil. No caso de um teste rápido positivo para HIV, a prioridade muda da profilaxia para o tratamento da infecção crônica. O protocolo brasileiro segue as recomendações da OMS de início imediato da terapia antirretroviral para reduzir a morbimortalidade e a transmissão. O esquema TDF/3TC/DTG é a espinha dorsal do tratamento atual devido à sua potência e segurança. Além do HIV, deve-se realizar a profilaxia para outras ISTs (sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase), oferecer contracepção de emergência se indicado e garantir suporte psicológico e social contínuo para a paciente traumatizada.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema de primeira escolha para TARV no Brasil?

O esquema preferencial para início de tratamento antirretroviral em adultos no Brasil é a combinação de Tenofovir (TDF) 300mg + Lamivudina (3TC) 300mg + Dolutegravir (DTG) 50mg. Esta combinação apresenta alta barreira genética, eficácia superior e perfil de efeitos colaterais favorável em comparação a esquemas antigos que utilizavam Efavirenz ou Zidovudina.

É necessário esperar o resultado do CD4 para iniciar a TARV?

Não. De acordo com a estratégia 'Test and Treat' (Testar e Tratar), a TARV deve ser iniciada o mais rápido possível após o diagnóstico de HIV, preferencialmente no mesmo dia, independentemente da contagem de linfócitos T CD4+. Os exames de base (CD4, Carga Viral, Bioquímica) são coletados no dia do início, mas o tratamento não aguarda os resultados para começar.

Como diferenciar PEP de TARV no contexto de violência sexual?

A PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é indicada quando a vítima é HIV negativa e houve exposição de risco nas últimas 72 horas. Se o teste rápido inicial da vítima já for positivo (confirmado por duas amostras), ela já possui a infecção (prévia ou recente) e deve iniciar o tratamento pleno (TARV) por tempo indeterminado, e não apenas a profilaxia temporária de 28 dias.

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