HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021
Um indivíduo dependente de drogas injetáveis foi infectado pelo vírus HIV, mas vem fazendo o tratamento antirretroviral adequadamente. Em seu último exame de ''carga viral'', o resultado foi ''indetectável'', o que significa que nenhum vírus foi detectado na amostra de sangue examinada. Após pesquisar tal resultado no Google, este indivíduo acreditou estar curado e parou o tratamento medicamentoso. Após 6 meses, qual deverá ser o resultado de um novo exame de carga viral?
Carga viral HIV indetectável ≠ cura; interrupção TARV → rebote viral devido a reservatórios latentes.
A carga viral indetectável sob TARV significa supressão da replicação ativa, mas não erradicação do vírus. O HIV persiste em reservatórios latentes, e a interrupção do tratamento permite que o vírus volte a replicar, resultando em aumento da carga viral e progressão da doença.
A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é uma condição crônica que, sem tratamento, progride para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). O tratamento antirretroviral (TARV) revolucionou o prognóstico, transformando a infecção em uma condição controlável. A adesão rigorosa ao TARV é crucial para manter a carga viral indetectável, o que não só melhora a saúde do indivíduo, mas também previne a transmissão sexual do vírus (U=U: Indetectável = Intransmissível). A fisiopatologia do HIV envolve a integração do material genético viral (RNA) no genoma da célula hospedeira (DNA) por meio da transcriptase reversa, formando um provírus. Este provírus pode permanecer latente em reservatórios celulares, como linfócitos T de memória, macrófagos e células dendríticas, por longos períodos. Mesmo com a carga viral indetectável, esses reservatórios persistem e são a principal razão pela qual o HIV não é curado com o tratamento atual. A interrupção do TARV permite que os provírus latentes sejam reativados, levando à replicação viral descontrolada e ao aumento rápido da carga viral. Isso resulta em deterioração imunológica, com queda da contagem de linfócitos T CD4+, e maior risco de infecções oportunistas e neoplasias associadas à AIDS. Portanto, a educação do paciente sobre a natureza crônica da infecção e a necessidade de adesão contínua ao tratamento é fundamental para evitar o rebote viral e suas consequências.
Significa que a quantidade de vírus no sangue está abaixo do limite de detecção dos testes atuais, mas não que o vírus foi erradicado do corpo.
O vírus HIV se integra ao genoma das células hospedeiras, formando reservatórios latentes. Sem a medicação, esses provírus podem ser reativados e iniciar nova replicação.
A interrupção do TARV leva ao aumento da carga viral, queda da contagem de CD4, progressão para AIDS, desenvolvimento de resistência aos medicamentos e maior risco de transmissão.
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