SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Gestante, G1P0, 24anos, 34 semanas, com sorologia reagente para HIV com carga viral indetectável, em uso adequado de antiretrovirais. Qual deve ser a via de parto e momento da resolução da gravidez?
Gestante HIV com CV indetectável (>34 semanas) → Parto vaginal natural, sem AZT IV.
Em gestantes com HIV e carga viral indetectável (inferior a 50 cópias/mL) após 34 semanas de gestação, o risco de transmissão vertical é mínimo. Nesses casos, o parto vaginal é seguro e não há necessidade de profilaxia com AZT endovenoso intraparto, podendo a gestação evoluir até o termo.
A infecção pelo HIV na gestação representa um desafio significativo na obstetrícia, com o principal objetivo sendo a prevenção da transmissão vertical (TV) do vírus da mãe para o filho. Graças aos avanços na terapia antirretroviral (TARV) e no manejo obstétrico, a taxa de TV foi drasticamente reduzida. É crucial que todas as gestantes sejam testadas para HIV no pré-natal e que as soropositivas recebam acompanhamento especializado. A fisiopatologia da transmissão vertical envolve a passagem do vírus através da placenta, durante o trabalho de parto e parto, ou pela amamentação. O manejo da gestante com HIV é individualizado e depende principalmente da carga viral materna. Gestantes em uso adequado de TARV, que alcançam e mantêm carga viral indetectável (geralmente < 50 cópias/mL) após 34 semanas de gestação, apresentam um risco mínimo de TV. Nesses casos de carga viral indetectável, o parto vaginal é a via de parto preferencial, podendo a gestação evoluir naturalmente até o termo, sem a necessidade de cesariana eletiva ou de profilaxia com AZT endovenoso intraparto. O AZT endovenoso é reservado para gestantes com carga viral detectável ou desconhecida. A amamentação é contraindicada para todas as gestantes com HIV no Brasil, independentemente da carga viral, devido ao risco residual de transmissão.
A cesariana eletiva é indicada para gestantes com HIV que apresentam carga viral detectável (geralmente acima de 50 cópias/mL) após 34 semanas de gestação, ou quando a carga viral é desconhecida, para reduzir o risco de transmissão vertical do vírus.
O AZT endovenoso intraparto é utilizado como profilaxia da transmissão vertical em gestantes com HIV que possuem carga viral detectável ou desconhecida, ou em situações específicas de ruptura de membranas prolongada. Não é necessário se a carga viral é indetectável após 34 semanas.
A carga viral indetectável (abaixo de 50 cópias/mL) após 34 semanas de gestação é o principal fator que permite o parto vaginal em gestantes com HIV, pois indica um risco muito baixo de transmissão vertical do vírus para o bebê, tornando o parto vaginal tão seguro quanto a cesariana.
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