HIV na Gestação: Manejo do Parto e Profilaxia da Transmissão Vertical

HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015

Enunciado

P.B.S., secundigesta, com pré-natal e parto vaginal anterior sem intercorrências. Teve diagnóstico de HIV (+) no início de sua segunda gestação. Foi orientada a iniciar terapia antiretroviral tríplice e acompanhamento multiprofissional. Últimos exames realizados da 35ª semana de gestação, quando encontrava-se assintomática, mostravam carga viral de 600 cópias/ml e CD4 450 céls/mm³. Na 38ª semana iniciou trabalho de parto de forma espontânea. Foi admitida com 3 cm de dilatação, bolsa íntegra e apresentação cefálica (occipito esquerda anterior). No hospital onde foi admitida não havia AZT (zidovudina) injetável disponível, somente AZT oral. Qual a melhor conduta para essa fase?

Alternativas

  1. A) Operação cesariana após 300 mg de A ZT oral.
  2. B) Operação cesariana após 1000 mg de A ZT oral.
  3. C) Acompanhamento de parto vaginal com A ZT oral 400 mg de 2/2h.
  4. D) Acompanhamento de parto vaginal com A ZT oral 300 mg de 3/3h.

Pérola Clínica

Gestante HIV com CV < 1000 cópias/ml e bolsa íntegra → parto vaginal + AZT oral (se IV indisponível).

Resumo-Chave

Em gestantes HIV positivas com carga viral indetectável ou baixa (< 1000 cópias/ml) e bolsa íntegra, o parto vaginal é uma opção segura. A profilaxia com AZT é fundamental, e na ausência de AZT injetável, o AZT oral pode ser utilizado durante o trabalho de parto.

Contexto Educacional

O manejo da gestante HIV positiva é um desafio complexo que visa prevenir a transmissão vertical do vírus, otimizando a saúde materna e fetal. A terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação é a principal estratégia, reduzindo drasticamente a carga viral materna e, consequentemente, o risco de transmissão. O planejamento do parto é crucial e depende da carga viral materna. Para gestantes com carga viral indetectável ou abaixo de 1000 cópias/mL na 34ª semana de gestação e bolsa íntegra, o parto vaginal é uma opção segura e preferível, desde que não haja outras indicações obstétricas para cesariana. A profilaxia com zidovudina (AZT) é fundamental durante o trabalho de parto, administrada por via intravenosa. No entanto, em situações de indisponibilidade do AZT injetável, o AZT oral pode ser utilizado como alternativa, em doses específicas (ex: 300 mg a cada 3 horas) para manter a proteção. A decisão entre parto vaginal e cesariana deve ser individualizada, considerando a carga viral, o tempo de ruptura das membranas, a adesão à TARV e a disponibilidade de recursos. A cesariana eletiva é indicada para gestantes com carga viral acima de 1000 cópias/mL ou desconhecida, ou em casos de ruptura de membranas prolongada. O acompanhamento multiprofissional é essencial para garantir o melhor desfecho para mãe e bebê.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicação de parto vaginal em gestantes HIV positivas?

O parto vaginal pode ser indicado para gestantes HIV positivas com carga viral indetectável ou abaixo de 1000 cópias/mL na 34ª semana de gestação, com bolsa íntegra e sem outras contraindicações obstétricas.

Qual a importância da zidovudina (AZT) na profilaxia da transmissão vertical do HIV?

A zidovudina (AZT) é um antirretroviral que, quando administrado à gestante durante a gestação, no trabalho de parto e ao recém-nascido, reduz significativamente o risco de transmissão vertical do HIV.

Como proceder se o AZT injetável não estiver disponível durante o trabalho de parto?

Na ausência de AZT injetável, o AZT oral pode ser utilizado como alternativa durante o trabalho de parto, seguindo um esquema de dosagem específico para manter níveis terapêuticos e garantir a profilaxia.

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