FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Primigesta, idade gestacional 38 semanas, convivendo com HIV por transmissão vertical, em tratamento adequado desde a infância. Carga viral indetectável nas 35 semanas de gestação, vitalidade fetal preservada. Vem para consulta com dúvidas sobre a possibilidade da via de parto. Quais serão as orientações?
Gestante HIV com CV indetectável (>34 sem) → parto vaginal SEM AZT IV.
Em gestantes com HIV e carga viral indetectável após a 34ª semana de gestação, a via de parto vaginal é segura e não há necessidade de profilaxia com AZT endovenoso intraparto. A decisão pela via de parto deve considerar a carga viral, a adesão ao tratamento antirretroviral e as condições obstétricas, visando sempre a menor taxa de transmissão vertical.
O manejo da gestante com HIV é um tema de extrema importância na obstetrícia, com o objetivo primordial de prevenir a transmissão vertical (TV) do vírus para o bebê. Graças aos avanços no tratamento antirretroviral (TARV), a TV foi drasticamente reduzida, e as diretrizes atuais permitem uma abordagem mais individualizada da via de parto, baseada principalmente na carga viral materna. Para gestantes com HIV que mantêm a carga viral indetectável (geralmente abaixo de 50 cópias/mL) após a 34ª semana de gestação e com boa adesão ao TARV, o parto vaginal é uma opção segura e preferencial, desde que não haja outras indicações obstétricas para cesariana. Nesses casos, a profilaxia com AZT endovenoso intraparto não é necessária, pois o risco de transmissão vertical já é mínimo. A cesariana eletiva e o uso de AZT endovenoso intraparto são reservados para gestantes com carga viral detectável (≥ 50 cópias/mL) ou desconhecida, ou em situações de emergência obstétrica. É crucial que o acompanhamento pré-natal seja rigoroso, com monitoramento da carga viral e aconselhamento sobre a via de parto, garantindo que a decisão seja tomada com base nas melhores evidências e nas condições clínicas da paciente, visando sempre a saúde da mãe e do recém-nascido.
O parto vaginal é considerado seguro para gestantes com HIV que mantêm a carga viral indetectável (inferior a 50 cópias/mL) após a 34ª semana de gestação, com boa adesão ao tratamento antirretroviral.
Não. O AZT endovenoso intraparto é indicado apenas para gestantes com carga viral detectável (≥ 50 cópias/mL) ou desconhecida, para reduzir o risco de transmissão vertical.
Os fatores mais importantes são a carga viral materna (principalmente após 34 semanas), a adesão ao tratamento antirretroviral, o tempo de bolsa rota e as condições obstétricas gerais.
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