HIV na Gestação: Manejo da Carga Viral Elevada

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

JSS, 36 anos, casada, primigesta, com 18 semanas de gravidez e HIV positiva, refere fazer uso de antirretrovirais há 5 anos. A carga viral feita há 2 anos era indetectável. Repetiu há 6 meses com resultado de 3.300 cópias/ml e a última, que foi coletada 2 semanas antes da consulta, foi de 6.500 cópias/ml. Assinalar a alternativa que apresenta o manejo inicial mais adequado dessa gestante:

Alternativas

  1. A) Adicionar uma nova droga ao esquema em uso.
  2. B) Fazer o aconselhamento sobre adesão aos antirretrovirais e solicitar genotipagem.
  3. C) Suspender o tratamento antirretroviral para melhor avaliação.
  4. D) Indicar cesariana eletiva.

Pérola Clínica

Gestante HIV+ com ↑ carga viral em TARV → investigar adesão e genotipagem para resistência.

Resumo-Chave

Em gestantes HIV positivas em uso de TARV com elevação da carga viral, a primeira medida é investigar a adesão ao tratamento, que é a causa mais comum de falha virológica. Se a adesão for adequada, a genotipagem é essencial para identificar resistência e guiar a mudança do esquema, visando reduzir a carga viral e o risco de transmissão vertical.

Contexto Educacional

O manejo da gestante HIV positiva é um pilar fundamental na prevenção da transmissão vertical do HIV, que ocorre em cerca de 15-45% dos casos sem intervenção. Com o uso adequado da terapia antirretroviral (TARV), o risco pode ser reduzido para menos de 1%. O objetivo principal é manter a carga viral materna indetectável ou abaixo de 1.000 cópias/mL, especialmente no terceiro trimestre, para minimizar a exposição fetal ao vírus. Quando uma gestante em TARV apresenta elevação da carga viral, como no caso descrito, a primeira e mais comum causa a ser investigada é a baixa adesão ao tratamento. O aconselhamento sobre a importância da adesão e a busca por barreiras que dificultam o uso regular dos medicamentos são passos iniciais e cruciais. Se a adesão for considerada adequada, a falha virológica pode indicar resistência aos antirretrovirais em uso. Nesses casos, a genotipagem é indispensável para identificar as mutações de resistência e orientar a escolha de um novo esquema terapêutico eficaz. O manejo da gestante HIV positiva com falha virológica exige uma abordagem cuidadosa e individualizada. A manutenção de um esquema antirretroviral eficaz é vital para a saúde materna e, principalmente, para a prevenção da transmissão vertical. A indicação de cesariana eletiva é considerada quando a carga viral está acima de 1.000 cópias/mL próximo ao parto, mas não é a conduta inicial diante de uma elevação da carga viral em 18 semanas de gestação, que exige primeiro a otimização do tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da carga viral indetectável em gestantes HIV positivas?

A carga viral indetectável é crucial para reduzir drasticamente o risco de transmissão vertical do HIV para o bebê, sendo o principal objetivo do tratamento antirretroviral na gestação e um indicador de sucesso terapêutico.

O que fazer quando a carga viral de uma gestante HIV+ em TARV aumenta?

A primeira medida é realizar aconselhamento sobre a adesão aos antirretrovirais, pois a má adesão é a causa mais comum de falha. Se a adesão for confirmada, deve-se solicitar a genotipagem para investigar resistência e guiar a mudança do esquema.

Quando a genotipagem é indicada para gestantes HIV positivas?

A genotipagem é indicada em casos de falha virológica (aumento da carga viral) durante o tratamento antirretroviral, para identificar mutações de resistência e auxiliar na escolha de um novo esquema eficaz e seguro para a gestante e o feto.

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