HIV na Gestação: Manejo da TARV e Via de Parto

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Secundigesta, 37 semanas e dois dias de idade gestacional, com quadro de HIV diagnosticado durante o pré-natal e atualmente com tratamento com antiretroviral. Paciente admitida em trabalho de parto. Vitalidade fetal preservada. Na carteira de prénatal, verifica- se a dosagem de carga viral há duas semanas com resultado detectável com 750 cópias/mL. Em relação ao caso:

Alternativas

  1. A) A cesárea é a primeira escolha para proteção de transmissão vertical e deve-se manter tenofovir + lamivudina.
  2. B) Para o diagnóstico de HIV durante a gestação sugere-se o tratamento com tenofovir + lamivudina + dolutegravir.
  3. C) Imediatamente deve-se fazer uso de AZT por três horas e, após esse período, visto a carga viral, fazer cesárea.
  4. D) A via de parto deve ser obstétrica e, abaixo de 1000 cópias/mL, não é necessário o uso de AZT.
  5. E) Como não fazia uso de antiretroviral previamente à gestação, o uso de AZT é obrigatório para o parto.

Pérola Clínica

HIV na gestação: TARV com TDF/3TC/DTG é preferencial. Via de parto depende da carga viral.

Resumo-Chave

O tratamento antirretroviral (TARV) para gestantes com HIV visa suprimir a carga viral materna, reduzindo drasticamente o risco de transmissão vertical. Regimes como tenofovir + lamivudina + dolutegravir são recomendados devido à sua eficácia e segurança. A escolha da via de parto (vaginal ou cesariana) é determinada pela carga viral próxima ao parto, sendo a cesariana reservada para cargas virais elevadas ou desconhecidas.

Contexto Educacional

O manejo da gestante com HIV é um tema crucial na obstetrícia, visando a prevenção da transmissão vertical do vírus. A terapia antirretroviral (TARV) é a principal estratégia para reduzir a carga viral materna e, consequentemente, o risco de infecção do bebê. O diagnóstico precoce do HIV no pré-natal e o início imediato da TARV são fundamentais para o sucesso dessa profilaxia. As diretrizes atuais recomendam regimes de TARV que incluem inibidores da integrase, como o dolutegravir, em combinação com dois inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos (ex: tenofovir e lamivudina), devido à sua potência e segurança. A escolha da via de parto é um ponto chave: se a carga viral estiver abaixo de 1000 cópias/mL no terceiro trimestre, o parto vaginal é seguro. Caso contrário, a cesariana eletiva é indicada, muitas vezes associada à profilaxia com AZT venoso intraparto. É essencial que o residente compreenda a importância da adesão à TARV, a monitorização da carga viral e as indicações precisas para cada via de parto e uso de AZT. O acompanhamento multidisciplinar e o aconselhamento adequado da gestante são indispensáveis para garantir os melhores desfechos materno-infantis, minimizando os riscos de transmissão vertical do HIV.

Perguntas Frequentes

Qual o regime de TARV preferencial para gestantes com HIV?

Atualmente, o regime preferencial para gestantes com HIV inclui tenofovir + lamivudina + dolutegravir (TDF/3TC/DTG), devido à sua alta eficácia na supressão viral e bom perfil de segurança.

Quando a cesariana é indicada para gestantes com HIV?

A cesariana eletiva é indicada para gestantes com HIV que apresentam carga viral acima de 1000 cópias/mL ou carga viral desconhecida no final da gestação, a fim de reduzir o risco de transmissão vertical.

É necessário usar AZT venoso intraparto em todas as gestantes com HIV?

Não. O AZT venoso intraparto é indicado apenas para gestantes com carga viral acima de 1000 cópias/mL ou carga viral desconhecida. Se a carga viral for indetectável ou abaixo de 1000 cópias/mL e a gestante estiver em TARV adequada, o AZT venoso não é necessário.

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