HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Mulher, de 35 anos de idade, está na sua 3ª gestação, com idade gestacional de 38 semanas e 5 dias, tendo dois partos normais prévios (3G2Pn). Está em seguimento pré-natal de alto risco, por vírus da imunodeficiência humana (HIV) diagnosticado há 15 anos. Faz uso de lamivudina, tenofovir e dolutegravir desde a primeira consulta, sendo que este esquema está adequado de acordo com o exame de genotipagem. Veio hoje à unidade de emergência com queixa de contrações regulares há 5 horas. Refere boa movimentação fetal. Nega perdas vaginais. Ao checar o cartão de pré-natal, nota-se que a última consulta foi há mais de um mês, quando estava com 34 semanas, totalizando, assim, 5 consultas. A paciente informou que um de seus filhos esteve doente, necessitando de internação, o que prejudicou sua assiduidade nas consultas. Ao exame, apresenta altura uterina de 34cm, com batimento cardíaco fetal de 155bpm. A dinâmica uterina tem 2 contrações moderadas em 10 minutos. O toque vaginal evidenciou colo fino, medianizado, com dilatação de 3cm, bolsa íntegra e apresentação fixa. A amnioscopia detectou líquido claro, com grumos. Está com sinais vitais normais e não tem outras alterações ao exame. Os resultados dos exames coletados com 34 semanas podem ser vistos na tabela a seguir: Qual é a conduta correta que deverá ser dada à paciente para garantir um manejo adequado do seu pós-parto?\\n\\nExame\\n\\nResultado\\n\\nValor de Referência\\n\\nHemoglobina (Hb)\\n\\n12,3 g/dL\\n\\n12,0 - 16,0 g/dL\\n\\nHematócrito (Ht)\\n\\n35,6 %\\n\\n36,0 - 46,0 %\\n\\nVDRL\\n\\nNão reagente\\n\\nNão reagente\\n\\nCarga Viral (HIV)\\n\\n800 cópias/mL\\n\\nIndetectável (0 - 40 cópias/mL)\\n\\nCD4\\n\\n650 células/mm³\\n\\nSuperior a 500 células/mm³\\n\\nPesquisa Streptococcus Agalactiae\\n\\nNegativa\\n\\nNegativa
Carga Viral HIV ≥ 50 cópias/mL (após 34s) → AZT venoso no parto + Inibição da lactação.
Gestantes com carga viral detectável próximo ao parto necessitam de profilaxia intraparto e inibição imediata da amamentação para prevenir a transmissão vertical.
O manejo da gestante vivendo com HIV foca na redução drástica da transmissão vertical (TV). No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde proíbem a amamentação cruzada ou o aleitamento materno por mulheres infectadas pelo HIV, garantindo o acesso a fórmulas infantis. A carga viral próxima ao parto (a partir de 34 semanas) é o principal determinante para a escolha da via de parto e para a necessidade de Zidovudina (AZT) endovenosa. Pacientes com CV detectável, mas abaixo de 1000 cópias/mL, podem evoluir para parto vaginal se as condições obstétricas forem favoráveis, desde que sob infusão de AZT. O cuidado pós-parto inclui a manutenção da TARV materna e o seguimento rigoroso do recém-nascido com profilaxia específica.
A inibição deve ser química e mecânica. O padrão-ouro é o uso de Cabergolina 1mg (2 comprimidos de 0,5mg) por via oral em dose única, preferencialmente nas primeiras 24 horas pós-parto. Além disso, recomenda-se o enfaixamento das mamas (atadura compressiva) para evitar o estímulo tátil.
O AZT (Zidovudina) venoso é indicado durante o trabalho de parto ou parto programado para gestantes com Carga Viral (CV) desconhecida ou CV ≥ 50 cópias/mL documentada após a 34ª semana de gestação. Se a CV for indetetável (< 50) após a 34ª semana, o AZT venoso pode ser dispensado.
Com CV de 800 cópias/mL (≥ 50 e < 1000), a via de parto é de indicação obstétrica, mas o AZT venoso deve ser iniciado 3 horas antes da cesárea eletiva ou durante o trabalho de parto. Se a CV fosse > 1000, a indicação seria obrigatoriamente cesárea eletiva com 38 semanas.
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