HIV na Gestação: Manejo do Parto e Antirretrovirais

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Secundigesta com 37 semanas e dois dias de idade gestacional, com quadro de HIV diagnosticado durante o pré-natal e atualmente com tratamento com antiretroviral. Paciente admitida em trabalho de parto. Vitalidade fetal preservada. Na carteira de pré-natal, verifica- se a dosagem de carga viral há duas semanas com resultado detectável com 750 cópias/mL. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A cesárea é a primeira escolha para proteção de transmissão vertical.
  2. B) Para o tratamento do HIV durante a gestação, sugere-se tenofovir + lamivudina + dolutegravir.
  3. C) Imediatamente deve-se fazer uso de AZT por três horas e, após esse período, vista a carga viral, fazer cesárea.
  4. D) A via de parto deve ser obstétrica e, abaixo de 1000 cópias/mL, não é necessário o uso de AZT.
  5. E) Como não fazia uso de antirretroviral previamente à gestação, o uso de AZT é obrigatório para o parto.

Pérola Clínica

HIV gestante com CV detectável < 1000 cópias/mL no termo: parto vaginal pode ser considerado com AZT intraparto.

Resumo-Chave

Em gestantes com HIV e carga viral detectável, mas abaixo de 1000 cópias/mL no terceiro trimestre, o parto vaginal pode ser uma opção, desde que haja uso de AZT intravenoso intraparto. O esquema antirretroviral recomendado atualmente para gestantes inclui tenofovir, lamivudina e dolutegravir.

Contexto Educacional

O manejo do HIV na gestação é um pilar fundamental na prevenção da transmissão vertical (TV) do vírus, que pode ocorrer durante a gravidez, parto ou amamentação. A meta principal é reduzir a carga viral materna a níveis indetectáveis, minimizando o risco de TV. O diagnóstico precoce e o início imediato da terapia antirretroviral (TARV) são essenciais para a saúde da mãe e do bebê. A fisiopatologia da transmissão vertical envolve a passagem do vírus da mãe para o feto ou recém-nascido. A TARV suprime a replicação viral, diminuindo a carga viral materna e, consequentemente, a exposição fetal ao HIV. O esquema antirretroviral recomendado para gestantes geralmente inclui uma combinação de três drogas, como tenofovir, lamivudina e dolutegravir, que são eficazes e seguras durante a gravidez. A via de parto é determinada pela carga viral materna próxima ao termo. Se a carga viral for indetectável ou inferior a 1000 cópias/mL, o parto vaginal pode ser considerado, com a administração de AZT intravenoso intraparto. Se a carga viral for igual ou superior a 1000 cópias/mL, a cesariana eletiva é indicada para reduzir o risco de TV. Após o parto, o recém-nascido também recebe profilaxia antirretroviral.

Perguntas Frequentes

Quando a cesariana é indicada para gestantes com HIV?

A cesariana eletiva é indicada para gestantes com HIV quando a carga viral é igual ou superior a 1000 cópias/mL a partir da 34ª semana de gestação, ou quando a carga viral é desconhecida.

Qual o papel do AZT intraparto na prevenção da transmissão vertical do HIV?

O AZT intravenoso intraparto é crucial para a profilaxia da transmissão vertical, especialmente em gestantes com carga viral detectável ou desconhecida, reduzindo significativamente o risco de infecção do recém-nascido.

Quais são os antirretrovirais recomendados para gestantes com HIV?

Atualmente, esquemas que incluem tenofovir, lamivudina e dolutegravir são amplamente recomendados para o tratamento do HIV durante a gestação, devido à sua eficácia e segurança.

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