UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 23a, G2P1C1A0, com idade gestacional de 35 semanas e 2 dias (amenorreia), procura Maternidade com queixa de contrações uterinas e muita cólica, refere perda de secreção mucosa pela vagina, nega perda de líquido e conta boa movimentação fetal. Antecedentes pessoais: nega comorbidades, não fez consultas ou exames pré-natais. Exame físico: bom estado geral; descorada+/4+; eupneica; fácies de dor; PA=103/68mmHg; FC=88bpm; T=36,2ºC; altura uterina=33cm; BCF=144bpm; dinâmica uterina=4contrações fortes x 45segundos x 10minutos; toque vaginal=colo medianizado, 100% esvaecido, 6cm de dilatação, cefálico, bolsa íntegra. Amnioscopia=líquido claro com grumos finos. Cardiotocografia=categoria 1. Solicitada a internação e coletados exames laboratoriais. Tipagem sanguínea O+, teste rápido de HIV positivo, demais exames normais. Solicitada sorologia de HIV para confirmar o diagnóstico, iniciado zidovudina e penicilina cristalina intravenosos.A CONDUTA OBSTÉTRICA É:
Gestante HIV+ em trabalho de parto prematuro → iniciar zidovudina IV + avaliar corticoide para maturação pulmonar.
Em gestantes HIV positivas, o manejo do trabalho de parto prematuro exige a administração imediata de zidovudina intravenosa para profilaxia da transmissão vertical, além da avaliação para corticoterapia visando a maturação pulmonar fetal, considerando a idade gestacional.
O manejo da gestante HIV positiva em trabalho de parto prematuro é um cenário complexo que exige atenção a múltiplos fatores para otimizar os desfechos materno-fetais. A principal preocupação é a prevenção da transmissão vertical do HIV, além da assistência ao parto prematuro em si, que já impõe riscos ao recém-nascido devido à imaturidade. A profilaxia da transmissão vertical do HIV durante o parto é realizada com zidovudina intravenosa, iniciada o mais precocemente possível. A decisão sobre a via de parto (vaginal ou cesariana) depende da carga viral materna e da idade gestacional. Para trabalho de parto prematuro (entre 24 e 34 semanas), a corticoterapia para maturação pulmonar fetal é indicada, e a tocolise pode ser considerada para prolongar a gestação e permitir a ação dos corticoides. Além do HIV, a paciente apresenta trabalho de parto prematuro com 6 cm de dilatação. A conduta deve incluir monitoramento fetal contínuo, avaliação da progressão do trabalho de parto e, se indicado, a administração de tocolíticos (embora com 6cm de dilatação, a tocolise pode não ser eficaz). A penicilina cristalina é para profilaxia de GBS, se o status for desconhecido ou positivo, conforme protocolo.
A zidovudina intravenosa é indicada para todas as gestantes HIV positivas em trabalho de parto ou submetidas a cesariana, como parte da profilaxia da transmissão vertical do HIV, independentemente da carga viral ou do uso prévio de antirretrovirais.
A corticoterapia com betametasona ou dexametasona é indicada para gestantes com risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de idade gestacional, visando acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido.
A cesariana eletiva é indicada para gestantes HIV positivas com carga viral > 1.000 cópias/mL ou desconhecida após 34 semanas de gestação, para reduzir o risco de transmissão vertical. Com carga viral indetectável, o parto vaginal pode ser considerado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo