FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente feminina, 28 anos, G2PC1A0, IG:38 semanas, HIV Positivo, Carga Viral Indetectável (realizada após 34 semanas), em uso regular de TARV (terapia antirretroviral); dá entrada na maternidade com encaminhamento para realização de cesariana eletiva. Visto que a paciente encontra-se dentro do período adequado para interrupção da gestação, quais medidas devem ser adotadas?
Gestante HIV+ com CV indetectável (>34 sem) e cesariana eletiva → não há indicação de AZT venoso, apenas ATB profilaxia cirúrgica.
Em gestantes HIV positivas com carga viral indetectável após 34 semanas e em uso regular de TARV, a profilaxia com AZT venoso durante o parto cesariana eletiva não é indicada, pois o risco de transmissão vertical é mínimo. A conduta se restringe à antibioticoprofilaxia padrão para cirurgia.
O manejo da gestante HIV positiva é um pilar fundamental na prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV, que é a passagem do vírus da mãe para o filho durante a gestação, parto ou amamentação. Graças aos avanços na terapia antirretroviral (TARV) e estratégias de manejo do parto, a taxa de TV foi drasticamente reduzida. A chave para o sucesso é o diagnóstico precoce do HIV na gestação, o início imediato e a adesão à TARV, visando alcançar uma carga viral (CV) indetectável. Quando a CV é indetectável (geralmente <50 cópias/mL) após 34 semanas de gestação, o risco de TV é mínimo, e a via de parto pode ser vaginal ou cesariana, dependendo das indicações obstétricas. Nesses casos, a profilaxia com AZT venoso intraparto não é mais recomendada, pois não oferece benefício adicional. Para uma cesariana eletiva em gestante HIV+ com CV indetectável, a conduta principal é a antibioticoprofilaxia padrão para qualquer cirurgia abdominal, geralmente com uma cefalosporina de primeira geração, para prevenir infecções do sítio cirúrgico. O recém-nascido ainda receberá profilaxia antirretroviral pós-exposição, mas a intensidade e duração dependerão da CV materna e outros fatores. O prognóstico para a mãe e o bebê é excelente com o manejo adequado.
O AZT venoso é indicado para gestantes HIV+ com carga viral detectável (>1000 cópias/mL) ou desconhecida no momento do parto, para reduzir o risco de transmissão vertical.
A carga viral indetectável (abaixo do limite de detecção) após 34 semanas de gestação, em uso de TARV, reduz drasticamente o risco de transmissão vertical do HIV, permitindo um manejo mais simplificado do parto.
A antibioticoprofilaxia padrão para cesariana, geralmente com uma cefalosporina de primeira geração (ex: cefazolina), deve ser administrada em todas as pacientes, incluindo as HIV+, para prevenir infecções do sítio cirúrgico.
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