HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2023
Primigesta de 38 semanas de gestação, HIV positivo, em tratamento antirretroviral regular (esquema tríplice) e prénatal sem intercorrências, apresenta carga viral indetectável na 36ª semana de gestação. Em relação ao manejo obstétrico nesse caso, é CORRETO afirmar que:
Gestante HIV+ com CV indetectável (>36 sem) → Parto via obstétrica + SEM AZT IV.
Em gestantes HIV positivas com carga viral indetectável a partir da 36ª semana de gestação e em uso de terapia antirretroviral regular, o risco de transmissão vertical é mínimo. Nesses casos, a via de parto é definida por indicações obstétricas habituais, e a profilaxia com AZT intravenoso durante o parto não é necessária.
O manejo da gestante HIV positiva é um tópico de extrema importância na obstetrícia, visando principalmente a prevenção da transmissão vertical (TV) do vírus para o recém-nascido. Graças aos avanços na terapia antirretroviral (TARV) e no acompanhamento pré-natal, a taxa de TV foi drasticamente reduzida. O caso apresentado ilustra uma situação ideal: primigesta com HIV em TARV regular e carga viral indetectável na 36ª semana. A conduta em relação à via de parto é determinada pela carga viral materna próxima ao termo. Se a gestante apresenta carga viral indetectável (geralmente definida como < 50 cópias/mL) a partir da 36ª semana de gestação, o risco de transmissão vertical é considerado mínimo. Nesses casos, a via de parto pode ser de indicação puramente obstétrica, ou seja, a gestante pode ter um parto vaginal se não houver outras contraindicações obstétricas (como apresentação pélvica, desproporção céfalo-pélvica, etc.). Adicionalmente, quando a carga viral é indetectável, a profilaxia intraparto com zidovudina (AZT) intravenosa não é necessária. O AZT IV é reservado para gestantes com carga viral detectável (> 50 cópias/mL) ou desconhecida no momento do parto, ou para aquelas que não fizeram uso adequado da TARV. Portanto, a informação da carga viral indetectável é o fator chave que permite uma abordagem mais natural e menos intervencionista do parto, sem a necessidade de cesariana eletiva ou infusão de AZT.
A via de parto vaginal é indicada para gestantes HIV positivas que apresentam carga viral indetectável (abaixo de 50 cópias/mL) a partir da 36ª semana de gestação, desde que não haja outras contraindicações obstétricas. Nesses casos, o risco de transmissão vertical é considerado muito baixo.
Não. O uso de AZT intravenoso durante o trabalho de parto ou previamente à cesariana é indicado apenas para gestantes HIV positivas com carga viral detectável (acima de 50 cópias/mL) ou desconhecida na 36ª semana de gestação ou próximo ao parto, a fim de reduzir o risco de transmissão vertical.
A carga viral indetectável na gestação é o principal objetivo do tratamento antirretroviral, pois reduz drasticamente o risco de transmissão vertical do HIV para o recém-nascido. Ela permite uma abordagem mais flexível da via de parto e, em muitos casos, dispensa a profilaxia intraparto com AZT intravenoso.
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