HIV na Gestação: Via de Parto e Prevenção da Transmissão

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 32 anos, tercigesta na 37ª semana de gestação. Realiza pré-natal de infecções por HIV, com 35 semanas apresentou carga viral de 4.800 cópias / mL e CD4+ de 500. De acordo com o exposto, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Com essa carga viral, a via de parto pode ser vaginal, desde seja feito uso de AZT intravenoso durante o trabalho de parto.
  2. B) Sua via de parto deve ser cesariana, devido a carga viral maior que 1000 após a 34ª semana de gestação, com AZT intraparto.
  3. C) Com essa carga viral e CD4, a via de parto será indicada por critérios obstétricos, logo podendo ser via vaginal ou cesariana.
  4. D) Não está indicado o uso de AZT endovenosa no período trabalho de parto, pois apresenta carga viral menor que 5.000 e CD4 maior que 250.

Pérola Clínica

HIV gestante: Carga viral > 1000 cópias/mL após 34 semanas → Cesariana eletiva + AZT IV intraparto.

Resumo-Chave

Em gestantes com HIV, a via de parto é determinada pela carga viral. Se a carga viral for > 1000 cópias/mL após a 34ª semana, a cesariana eletiva é indicada para reduzir o risco de transmissão vertical, associada ao uso de AZT intravenoso intraparto.

Contexto Educacional

O manejo da gestante com infecção por HIV é um tema crucial na obstetrícia e pediatria, visando principalmente a prevenção da transmissão vertical (TV) do vírus para o recém-nascido. A transmissão vertical pode ocorrer durante a gestação, no parto ou através da amamentação. As estratégias para reduzir esse risco incluem o uso de terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação, a escolha adequada da via de parto e a profilaxia pós-exposição para o recém-nascido. A decisão sobre a via de parto é um dos pilares da prevenção da TV e é baseada principalmente na carga viral materna. Se a carga viral for superior a 1000 cópias/mL após a 34ª semana de gestação, ou se for desconhecida, a cesariana eletiva é a via de parto recomendada. O objetivo é evitar a exposição do feto às secreções cervicovaginais e ao sangue materno durante o trabalho de parto. Além disso, o uso de zidovudina (AZT) intravenosa durante o trabalho de parto ou cesariana é mandatório para todas as gestantes com HIV, independentemente da carga viral, como parte da profilaxia. É importante ressaltar que, mesmo com carga viral indetectável ou abaixo de 1000 cópias/mL, o AZT intravenoso intraparto ainda é recomendado em muitas diretrizes. A amamentação é contraindicada para todas as mulheres vivendo com HIV no Brasil, sendo substituída por fórmula infantil. O acompanhamento multidisciplinar e a adesão rigorosa às diretrizes são essenciais para garantir a saúde da mãe e prevenir a infecção do bebê.

Perguntas Frequentes

Qual o principal critério para definir a via de parto em gestantes com HIV?

O principal critério é a carga viral do HIV após a 34ª semana de gestação. Se for superior a 1000 cópias/mL, a cesariana eletiva é indicada para minimizar o risco de transmissão vertical.

Quando o AZT intravenoso é indicado durante o parto em gestantes com HIV?

O AZT intravenoso é indicado para todas as gestantes com HIV durante o trabalho de parto ou cesariana, independentemente da carga viral, como parte da profilaxia da transmissão vertical, a menos que a carga viral seja indetectável e a paciente esteja em uso de TARV há tempo adequado.

Qual o objetivo da cesariana eletiva em gestantes com HIV e alta carga viral?

A cesariana eletiva, realizada antes do início do trabalho de parto e da ruptura das membranas, visa minimizar a exposição do feto ao sangue e secreções maternas durante o parto, reduzindo significativamente o risco de transmissão vertical do HIV.

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