USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Primigesta, 23 anos, não realizou pré-natal, 39 semanas, moradora de rua, é trazida a maternidade pelo SAMU com queixa de dor no baixo ventre. Ao exame está normotensa, atividade uterina: 2 contrações fracas de 30 segundos em 10 minutos, BCF 148 bpm, sem desacelerações. Toque vaginal apresenta 3 cm de dilatação. O teste rápido para HIV apresenta resultado positivo, teste para sífilis é não reagente. Qual a conduta mais adequada para esta paciente?
Gestante HIV+ sem pré-natal/carga viral desconhecida em trabalho de parto → AZT IV + cesariana eletiva após 3h.
Em gestantes HIV positivas com carga viral desconhecida ou alta (sem pré-natal), a profilaxia da transmissão vertical inclui AZT intravenoso durante o trabalho de parto e indicação de cesariana eletiva para reduzir o risco de contaminação fetal.
O manejo da gestante HIV positiva, especialmente aquela sem pré-natal adequado ou com carga viral desconhecida, representa um desafio significativo na obstetrícia, com o objetivo primordial de prevenir a transmissão vertical do vírus. A ausência de pré-natal impede a avaliação da carga viral e a otimização da terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação, aumentando o risco de transmissão. Nesses casos, a conduta é baseada em protocolos que visam a máxima proteção fetal. A administração de Zidovudina (AZT) intravenosa é fundamental, pois o fármaco atravessa a placenta e atinge o feto, conferindo profilaxia. A infusão deve ser iniciada o mais precocemente possível no trabalho de parto ou antes da cesariana. A indicação de parto cesariana eletiva é preferencial para gestantes com carga viral desconhecida ou > 1000 cópias/mL, pois reduz a exposição do feto às secreções cervicovaginais e ao sangue materno. É crucial que a cesariana seja realizada após, no mínimo, 3 horas do início da infusão do AZT intravenoso, para que níveis terapêuticos da droga sejam alcançados no feto, otimizando a profilaxia da transmissão vertical.
O AZT intravenoso é crucial para a profilaxia da transmissão vertical do HIV, pois atravessa a barreira placentária e atinge concentrações terapêuticas no feto, reduzindo significativamente o risco de infecção.
A cesariana é indicada para gestantes HIV positivas com carga viral desconhecida, carga viral > 1000 cópias/mL ou naquelas que não fizeram uso de terapia antirretroviral durante a gestação, para minimizar a exposição do feto ao sangue e secreções maternas.
O período de 3 horas de infusão do AZT intravenoso é necessário para que a droga atinja níveis séricos adequados no feto, garantindo a máxima eficácia na profilaxia da transmissão vertical antes do parto.
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