IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 32 anos de idade, secundigesta, procura atendimento médico em Unidade Básica de Saúde para iniciar pré-natal. Tem 1 parto normal, com idade gestacional de 34 semanas, por trabalho de parto prematuro. Tem antecedente de HIV, com diagnóstico há 8 anos e carga viral indetectável (< 1000 cópias) desde o início da TARV, com seguimento adequado. Está em uso de ácido fólico, devido às tentativas de gestação. A data da última menstruação (DUM) é compatível com a ultrassonografia, apresentando idade gestacional de 8 semanas e 4 dias hoje. Após seguimento de pré-natal adequado, a paciente procura o pronto atendimento por contrações regulares dolorosas há 3 dias, com piora na frequência no último dia. No cartão de pré-natal, você verifica que ela se encontra com idade gestacional de 39 semanas, com última carga viral indetectável há 3 semanas. Ao toque vaginal, a paciente apresenta 6cm de dilatação em franco trabalho de parto. Qual é a conduta a ser tomada neste momento?
CV < 1000 cópias/mL → Parto vaginal s/ AZT venoso; CV ≥ 1000 ou desconhecida → Cesárea + AZT.
Gestantes com carga viral indetectável (< 1000 cópias) no 3º trimestre podem evoluir para parto vaginal e não necessitam de zidovudina (AZT) injetável durante o trabalho de parto.
O manejo da gestante vivendo com HIV foca na redução drástica da transmissão vertical (TV). A carga viral (CV) é o principal preditor de risco. Quando a TARV é eficaz e a CV permanece indetectável no final da gestação, o risco de TV é inferior a 1-2%, permitindo uma abordagem menos invasiva no parto. A zidovudina (AZT) intravenosa, embora tenha sido o pilar da prevenção por décadas, hoje é reservada para casos de viremia detectável ou desconhecida. No cenário pós-parto, a inibição da lactação permanece mandatória no Brasil, acompanhada do fornecimento de fórmula infantil, devido ao risco residual de transmissão pelo leite materno.
O AZT intravenoso é dispensável quando a gestante apresenta carga viral indetectável (geralmente definida como < 1000 cópias/mL) documentada após a 34ª semana de gestação e está em uso regular de terapia antirretroviral (TARV). Nesses casos, o risco de transmissão vertical é extremamente baixo, permitindo a condução do parto conforme a indicação obstétrica, sem a necessidade da infusão profilática intraparto.
A via de parto é determinada pela carga viral (CV) aferida a partir da 34ª semana. Se CV < 1000 cópias/mL, a via é de indicação obstétrica (podendo ser vaginal). Se CV ≥ 1000 cópias/mL ou desconhecida, a via preferencial é a cesariana eletiva, idealmente realizada às 38 semanas para evitar o início do trabalho de parto e a ruptura de membranas.
O recém-nascido deve receber profilaxia com antirretrovirais (geralmente AZT por 4 semanas, podendo associar Nevirapina dependendo do risco), não deve ser amamentado (inibição da lactação imediata) e deve ter o clampeamento do cordão umbilical realizado imediatamente, sem ordenha, para minimizar a exposição ao sangue materno.
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