HIV na Gestação: Via de Parto e Protocolos de Transmissão

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026

Enunciado

Com relação à infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) no ciclo gravídicopuerperal, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Durante o pré-natal, a dosagem da carga viral deve ser repetida a cada 4 semanas até a negativação e, depois disso, próximo ao parto, ao redor de 37 semanas de gestação.
  2. B) Gestantes vivendo com HIV que já estavam em uso de Terapia Antirretroviral (TARV) antes da gestação devem ter seu esquema substituído por TDF + 3TC + DTG, independentemente dos níveis de carga viral ou contagem de linfócitos CD4.
  3. C) Gestantes com carga viral desconhecida ou acima de 1.000 cópias/mL devem realizar cesariana eletiva com 38 semanas para reduzir o risco de transmissão vertical do HIV.
  4. D) Pacientes que não usam TARV devem ter a lactação bloqueada no pós-parto imediato com 2 comprimidos de cabergolina 0,5 mg em dose única, enquanto as puérperas em uso de TARV podem manter o aleitamento materno, uma vez que o tratamento reduz significativamente a eliminação do HIV pelo leite.

Pérola Clínica

CV desconhecida ou ≥ 1.000 cópias/mL → Cesariana eletiva com 38 semanas + AZT injetável.

Resumo-Chave

A via de parto na gestante HIV+ é determinada pela carga viral próxima ao parto (≥34 sem); níveis elevados ou desconhecidos exigem cesárea para minimizar o contato fetal com sangue e secreções.

Contexto Educacional

O manejo do HIV na gestação visa reduzir a taxa de transmissão vertical para menos de 1-2%. A pedra angular é a Terapia Antirretroviral (TARV) combinada para todas as gestantes, visando a supressão viral sustentada. A carga viral medida a partir da 34ª semana define a via de parto: se ≥ 1.000 cópias/mL ou desconhecida, a cesariana eletiva (fora do trabalho de parto e com membranas íntegras) às 38 semanas é mandatória. Se < 1.000 cópias/mL e indetectável, a via de parto é de indicação obstétrica. O cuidado estende-se ao recém-nascido, que deve receber profilaxia antirretroviral (AZT e possivelmente Nevirapina, dependendo do risco) e não ser amamentado, garantindo-se o acesso a fórmulas lácteas adequadas.

Perguntas Frequentes

Quando indicar parto vaginal na gestante com HIV?

O parto vaginal pode ser indicado se a gestante apresentar carga viral indetectável (ou < 1.000 cópias/mL) após a 34ª semana de gestação e boas condições obstétricas. Nesses casos, o risco de transmissão vertical é extremamente baixo, comparável ao da cesariana, permitindo a via vaginal com monitoramento cuidadoso e evitando procedimentos invasivos como amniotomia artificial ou fórceps.

Qual o manejo da amamentação em puérperas com HIV?

No Brasil, a amamentação por mulheres vivendo com HIV é contraindicada, independentemente do uso de TARV ou níveis de carga viral, devido ao risco residual de transmissão pelo leite materno. O aleitamento deve ser substituído por fórmula infantil, e a lactação deve ser inibida mecanicamente (enfaixamento) ou farmacologicamente com cabergolina logo após o parto.

Como é feita a profilaxia intraparto com AZT?

A Zidovudina (AZT) intravenosa deve ser administrada desde o início do trabalho de parto ou 3 horas antes da cesariana eletiva até o clampeamento do cordão umbilical. Ela é obrigatória para pacientes com carga viral > 100 ou desconhecida. Pacientes com CV indetectável que mantiveram TARV durante a gestação podem ser dispensadas do AZT venoso, conforme protocolos recentes.

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