Anamnese Psiquiátrica: Diferença entre História Objetiva e Subjetiva

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 26 anos, professora do ensino médio, chega à emergência trazida pela tia, que relata que há três dias não se levanta da cama, não responde às solicitações e não aceita quase toda alimentação. Ao exame físico apresenta leve desidratação e flexibilidade cerácea. Os exames laboratoriais são normais e o screening para drogas, negativo. Para o diagnóstico das transtornos mentais, como no caso acima o médico deve levar em conta as informações coletadas, história objetiva e subjetiva. Sobre a abordagem clínica da paciente, leias as afirmações abaixo e marque a ERRADA: 

Alternativas

  1. A) A história coletada com a paciente é chamada de história objetiva.
  2. B) A informações prestadas por familiares devem ser levadas em conta e podem ser usadas para confrontar a paciente, quando necessário.
  3. C) Deixar a paciente a vontade, perguntando sobre seu desejo de estar acompanhada por familiar na primeira consulta e recomendável.
  4. D) As informações relatadas pela família podem ser coletadas sem a presença do paciente.
  5. E) A supervisão de um profissional psiquiatra ao atendimento dessa paciente é recomendada.

Pérola Clínica

História do paciente = subjetiva; observações e dados = objetivos.

Resumo-Chave

A história coletada diretamente do paciente é considerada subjetiva, pois reflete sua percepção e relato. Dados objetivos são as observações do examinador, resultados de exames e informações de terceiros, como familiares, que são cruciais em psiquiatria, especialmente em quadros como a catatonia.

Contexto Educacional

A avaliação de transtornos mentais, como no caso da paciente com suspeita de catatonia (evidenciada pela flexibilidade cerácea, mutismo e recusa alimentar), exige uma abordagem clínica abrangente. A anamnese psiquiátrica é composta por dados subjetivos (o que o paciente relata) e objetivos (observações do examinador, exames e informações de terceiros). É fundamental que o médico saiba diferenciar esses tipos de informações para construir um quadro clínico completo e preciso. Em situações onde o paciente não consegue fornecer um relato fidedigno, as informações de familiares e acompanhantes tornam-se indispensáveis, complementando o exame do estado mental e auxiliando no diagnóstico diferencial e na conduta terapêutica. A supervisão de um psiquiatra é recomendada para casos complexos, garantindo o manejo adequado e a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre história objetiva e subjetiva na anamnese médica?

A história subjetiva é o relato do paciente sobre seus sintomas, sentimentos e percepções. A história objetiva são os dados observáveis pelo médico (exame físico), resultados de exames complementares e informações fornecidas por terceiros, como familiares ou acompanhantes.

Por que as informações de familiares são tão importantes na avaliação psiquiátrica?

As informações de familiares são cruciais porque o paciente pode não ter insight sobre sua condição, estar delirante, com alteração de sensopercepção ou, como no caso da catatonia, incapaz de se comunicar. Eles fornecem um histórico valioso sobre o início, evolução dos sintomas e comportamento habitual do paciente.

O que é flexibilidade cerácea e qual sua relevância clínica?

Flexibilidade cerácea é um sinal psicomotor da catatonia, onde o membro do paciente, uma vez colocado em uma posição, a mantém por um tempo, como se fosse feito de cera. Sua presença é um forte indicativo de catatonia, uma síndrome neuropsiquiátrica grave que requer intervenção urgente.

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