CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
Homem de 45 anos de idade, avicultor, sob investigação por alterações pulmonares e gastrointestinais, apresenta, ao exame ocular, meios transparentes e alterações fundoscópicas bilaterais, conforme ilustrado pela retinografia do olho direito, abaixo. Considerando os dados apresentados, qual o agente etiológico mais provável entre as alternativas abaixo?
Avicultor + lesões 'punched-out' na retina + atrofia peripapilar → Histoplasmose Ocular Presumida.
A Histoplasmose Ocular Presumida (POHS) é causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, comum em fezes de aves, levando a cicatrizes coriorretinianas típicas.
A Histoplasmose Ocular é uma causa importante de perda visual central em áreas endêmicas. Diferente de outras uveítes posteriores, ela se manifesta como uma coroidopatia 'branca', sem reação de câmara anterior ou vitreíte, o que é um dado crucial para provas de residência. O histórico ocupacional (avicultores, trabalhadores de limpeza de silos ou cavernas) é o principal gatilho para a suspeita clínica. O manejo foca na monitorização de lesões maculares com tela de Amsler e OCT, visando a detecção precoce de neovascularização, já que as lesões periféricas costumam ser assintomáticas.
A tríade clássica da Síndrome da Histoplasmose Ocular Presumida (POHS) inclui: 1) Cicatrizes coriorretinianas atróficas periféricas ('histo spots' ou lesões punched-out); 2) Atrofia peripapilar; e 3) Maculopatia exsudativa ou cicatricial, frequentemente associada a membranas neovasculares sub-retinianas. Notavelmente, não há inflamação vítrea ativa (vitreíte), o que ajuda no diagnóstico diferencial.
A infecção primária ocorre por via inalatória através de esporos do fungo encontrados em solos contaminados por fezes de aves ou morcegos (comum em avicultores). Acredita-se que o fungo chegue ao olho por via hematogênica durante a fase de disseminação sistêmica inicial, instalando-se na coroide e causando focos de inflamação que evoluem para cicatrizes atróficas.
A complicação mais temida é o desenvolvimento de Membrana Neovascular de Coroide (MNVC) na região macular. Isso ocorre anos após a infecção inicial, a partir de uma cicatriz prévia. A MNVC pode causar hemorragia sub-retiniana, descolamento seroso da retina e perda súbita e grave da visão central, exigindo tratamento urgente com injeções intravítreas de anti-VEGF.
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