UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Nuligesta de 35 anos, cuja menarca ocorrera aos 13 anos (ciclos menstruais regulares de 28 dias e sem dismenorreia), teve confirmado o diagnóstico de endometriose peritoneal. Tentava gestar há 2 anos. O espermocitograma do parceiro foi normal. Qual o método de escolha para investigação de fator tubário nessa paciente?
Infertilidade + endometriose + espermocitograma normal → Investigar fator tubário com Histerossalpingografia.
Em pacientes com infertilidade, especialmente na presença de endometriose e com fator masculino excluído, a investigação da permeabilidade tubária é fundamental. A histerossalpingografia (HSG) é o método de escolha por ser um exame radiológico minimamente invasivo que avalia a morfologia da cavidade uterina e a patência das tubas uterinas.
A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas para mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais. A investigação da infertilidade é multifatorial e deve abordar os fatores masculino, ovulatório, tubário, uterino e peritoneal. No caso de uma paciente nuligesta de 35 anos com endometriose peritoneal e espermocitograma do parceiro normal, a exclusão do fator tubário torna-se uma etapa prioritária na propedêutica. A histerossalpingografia (HSG) é o método de escolha para a avaliação da permeabilidade tubária e da anatomia da cavidade uterina. Trata-se de um exame radiológico que utiliza contraste iodado injetado através do colo uterino para visualizar o útero e as tubas. A HSG pode identificar obstruções tubárias, hidrossalpinge, aderências peritubárias e anomalias uterinas como pólipos ou miomas submucosos, que podem comprometer a fertilidade. Embora a endometriose possa causar infertilidade por diversos mecanismos (distorção anatômica, inflamação, disfunção ovulatória), a coexistência de fator tubário é comum e deve ser ativamente pesquisada. A realização da HSG permite direcionar a conduta terapêutica, que pode variar desde o tratamento da endometriose até a indicação de técnicas de reprodução assistida, dependendo dos achados. O conhecimento aprofundado sobre a investigação da infertilidade é crucial para residentes de Ginecologia e Obstetrícia.
A histerossalpingografia é crucial para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas e a morfologia da cavidade uterina, identificando anomalias como obstruções tubárias, aderências ou malformações uterinas que podem causar infertilidade.
A investigação do fator tubário deve ser realizada em todas as pacientes com infertilidade, mesmo na presença de endometriose, pois a obstrução tubária é uma causa independente e comum de dificuldade para engravidar.
Outras opções incluem a histerossonossalpingografia (HyCoSy), que utiliza ultrassom e contraste, e a laparoscopia diagnóstica, considerada o padrão-ouro, mas mais invasiva. A HSG é geralmente o primeiro passo.
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