PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Adolescente de 15 anos, branca e estudante. Veio na consulta por queixa de acne e aumento de pelos. Como história da doença atual, relata que desde os 11 anos de idade vem apresentando aumento de pelos e acne na face associados à pele oleosa. Depois da menarca aos 10 anos, ficou em amnorreia por 11 meses e normalizou os ciclos e está sem alteração no momento da consulta. A mãe apresentava história de ovários policísticos. Antecedentes ginecológicos: apresentou telarca aos 8 anos e menarca aos 10 anos. Ciclos eumenorreicos. Virgem. No exame físico apresenta-se normotensa, IMC: 25,9 Kg/m² e CA: 95 cm. Acne grau II na face, acantose nígricans e galactorreia ausentes e escala de Ferriman-Gallwey: 9 (lábio inferior 2; mento 2; tórax 0; abdome superior 0; abdome inferior 2; coxa 1; braço 0; dorso 0; nádegas 2). Os exames laboratoriais basais, incluindo progesterona no 21º dia do ciclo menstrual, indicou 9,5 ng/mL (ovulação > 5 ng/mL) e de imagem para rastreio de síndrome dos ovários policísticos foram normais. A hipótese diagnóstica para esta adolescente é:
Hirsutismo + Acne + Ovulação normal + Exames hormonais/imagem normais → Hirsutismo idiopático.
A paciente apresenta hirsutismo e acne, mas com ciclos menstruais regulares e ovulatórios (progesterona > 5 ng/mL), além de exames de imagem e laboratoriais para SOP normais. Isso exclui SOP e tumores produtores de androgênios, direcionando o diagnóstico para hirsutismo idiopático, que é um diagnóstico de exclusão. O sobrepeso é um achado associado.
O hirsutismo, definido pelo crescimento excessivo de pelos terminais em áreas dependentes de androgênios, é uma queixa comum na adolescência e pode ser um sinal de hiperandrogenismo. No entanto, é crucial realizar uma investigação completa para diferenciar entre causas patológicas e condições benignas. A acne vulgar é outra manifestação comum, frequentemente associada a fatores hormonais e genéticos, e o sobrepeso pode agravar a resistência à insulina, que por sua vez pode influenciar o perfil androgênico. A abordagem diagnóstica para uma adolescente com hirsutismo e acne deve incluir uma história clínica detalhada, exame físico (com escore de Ferriman-Gallwey) e exames laboratoriais para avaliar o perfil hormonal. É fundamental descartar condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), hiperplasia adrenal congênita não clássica e tumores produtores de androgênios. A presença de ciclos menstruais regulares e ovulatórios (confirmados por progesterona sérica na fase lútea) e exames de imagem ovarianos e adrenais normais são elementos chave para excluir as causas mais graves de hiperandrogenismo. No caso da paciente, com ovulação documentada, exames hormonais normais e ultrassonografia ovariana normal, a hipótese mais provável é o hirsutismo idiopático, que se caracteriza por uma sensibilidade aumentada dos folículos pilosos aos níveis normais de androgênios. O tratamento visa o controle dos sintomas e pode incluir métodos cosméticos, agentes antiandrogênicos e contraceptivos orais combinados, se não houver contraindicações. O sobrepeso deve ser abordado com mudanças no estilo de vida.
O hirsutismo idiopático é um diagnóstico de exclusão, considerado quando há hirsutismo clínico (escore de Ferriman-Gallwey elevado) na ausência de hiperandrogenismo bioquímico (níveis normais de androgênios) e com ciclos menstruais regulares e ovulatórios, após exclusão de outras causas como SOP, tumores e hiperplasia adrenal congênita.
A dosagem de progesterona na fase lútea (21º dia do ciclo) é crucial para documentar a ovulação. Níveis de progesterona > 5 ng/mL indicam ovulação, o que torna o diagnóstico de SOP (que cursa com anovulação crônica) menos provável, direcionando para outras causas de hirsutismo.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), hiperplasia adrenal congênita de início tardio, tumores produtores de androgênios (ovarianos ou adrenais), síndrome de Cushing e o próprio hirsutismo idiopático.
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