Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Homem, 45 anos, vítima de atropelamento, é admitido no PS trazido com colar cervical, em prancha longa, recebendo oxigênio (6 L/min) através de um cateter nasal. Apresenta-se agitado, com hálito etílico, queixando-se de dor na perna direita, que foi imobilizada no atendimento pré-hospitalar. Tem um ferimento corto contuso pequeno em região frontal direita, escoriação e crepitação à palpação da face anterior do hemitórax direito, mas com ausculta pulmonar normal. Perna direita com fratura fechada e pulsos presentes. A oximetria de pulso mostra saturação de oxigênio de 90%. Com relação ao caso:
Agitação em trauma = sinal precoce de hipóxia até prova em contrário, mesmo com hálito etílico.
A agitação em um paciente traumatizado, mesmo com hálito etílico, deve ser primeiramente investigada como um sinal de hipóxia ou hipoperfusão cerebral. A oximetria de 90% com oxigênio suplementar é inadequada e indica necessidade de otimização da oxigenação.
A avaliação primária no trauma segue a sequência ABCDE e visa identificar e tratar condições com risco de vida imediato. A agitação em um paciente traumatizado é um sinal crítico que nunca deve ser subestimado ou atribuído apenas a fatores externos como intoxicação alcoólica. É um dos primeiros sinais de hipóxia cerebral, que pode ser causada por problemas na via aérea, respiração ou circulação. Neste caso, a oximetria de 90% com oxigênio suplementar já indica uma oxigenação inadequada. A agitação do paciente é um forte indício de que a hipóxia está afetando o sistema nervoso central. A conduta inicial deve focar na otimização da oxigenação, que pode incluir aumento do fluxo de oxigênio, uso de máscara não reinalante, reavaliação da via aérea e, se necessário, intubação orotraqueal. A presença de crepitação torácica sugere fraturas de costelas, mas a ausculta pulmonar normal e a ausência de sinais de pneumotórax ou hemotórax significativos não indicam drenagem torácica imediata. O foco principal deve ser a correção da hipóxia e a estabilização do paciente, seguindo os princípios do ATLS.
A agitação, mesmo na presença de hálito etílico, deve ser considerada um sinal precoce de hipóxia ou hipoperfusão cerebral até que se prove o contrário, exigindo investigação e correção imediata da oxigenação.
Não, uma saturação de 90% em um paciente traumatizado, mesmo com oxigênio suplementar por cateter nasal, é inadequada e indica hipóxia, necessitando de otimização da oxigenoterapia, como aumento do fluxo ou troca para máscara não reinalante.
Não, a crepitação torácica indica fraturas de costelas, mas a drenagem de tórax só é indicada se houver pneumotórax (especialmente hipertensivo), hemotórax significativo ou outras complicações que comprometam a ventilação. Ausculta pulmonar normal não indica drenagem imediata.
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