Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025
Um homem de 64 anos chega à sala de emergência após sofrer um acidente de motocicleta. Ele foi projetado contra o para-choque de um carro e apresenta dificuldade respiratória significativa. Durante a avaliação inicial, o paciente está consciente, verbalizando, porém agitado, com sinais evidentes de dor intensa. Sua frequência respiratória é de 32 irpm, e a saturação de oxigênio em ar ambiente é de 86%. Ele apresenta estertores finos bilaterais. Sua pressão arterial é de 100/70 mmHg e a frequência cardíaca é de 130 bpm. Foi conduzido com intubação orotraqueal e ventilação mecânica. Mesmo após IOT e AVM, persiste com saturação de oxigênio em 89%. É realizado um US pulmonar, que estava sem maiores alterações à direita e que se apresentava como abaixo e não indicava presença de deslizamento pleural à esquerda. Tais achados poderiam respaldar qual conduta?
Hipoxemia pós-IOT + ausência de deslizamento pleural unilateral no US → suspeitar de intubação brônquica seletiva ou pneumotórax.
A persistência de hipoxemia após intubação orotraqueal e ventilação mecânica em um paciente traumatizado, associada à ausência de deslizamento pleural em um hemitórax no ultrassom, sugere uma falha na ventilação desse pulmão, sendo a intubação seletiva de um brônquio principal uma causa comum que deve ser avaliada e corrigida.
Pacientes traumatizados com dificuldade respiratória significativa frequentemente necessitam de intubação orotraqueal e ventilação mecânica. A persistência de hipoxemia após essas intervenções é um sinal de alerta que exige uma investigação rápida e sistemática para identificar a causa e corrigi-la. A avaliação inicial deve incluir a verificação da posição do tubo (ausculta bilateral, capnografia), a integridade do circuito do ventilador e a realização de exames complementares. A ultrassonografia pulmonar à beira do leito é uma ferramenta valiosa no trauma, pois pode identificar rapidamente condições como pneumotórax (ausência de deslizamento pleural), hemotórax ou atelectasia. No cenário descrito, a ausência de deslizamento pleural à esquerda, com o pulmão direito sem alterações, é altamente sugestiva de que o pulmão esquerdo não está sendo adequadamente ventilado. As principais hipóteses para isso seriam um pneumotórax à esquerda ou uma intubação brônquica seletiva (o tubo está no brônquio principal direito, deixando o esquerdo sem ventilação). Dada a persistência da hipoxemia, a primeira conduta seria avaliar e corrigir a posição do tubo orotraqueal, o que se enquadra em 'avaliar intubação seletiva' (ou seja, verificar se há intubação seletiva de um brônquio e corrigir). Se após a correção da posição do tubo a hipoxemia persistir e o US ainda mostrar ausência de deslizamento, a drenagem torácica para um pneumotórax seria a próxima etapa. No entanto, a correção da intubação seletiva é uma etapa crucial e muitas vezes negligenciada.
As causas incluem intubação brônquica seletiva, pneumotórax, hemotórax, contusão pulmonar grave, atelectasia, aspiração e problemas no circuito do ventilador. Uma avaliação rápida e sistemática é crucial.
A ultrassonografia pulmonar pode identificar rapidamente a ausência de deslizamento pleural (sugerindo pneumotórax ou intubação seletiva), a presença de linhas B (edema pulmonar/contusão) ou a ausência de movimento diafragmático, auxiliando no diagnóstico diferencial.
A intubação brônquica seletiva ocorre quando o tubo orotraqueal é inserido profundamente em um dos brônquios principais (geralmente o direito), ventilando apenas um pulmão. Isso leva à hipoxemia e pode causar barotrauma no pulmão ventilado e atelectasia no não ventilado, sendo uma emergência no trauma.
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