Hipovitaminose A e Manchas de Bitot: Diagnóstico Clínico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Uma lesão ceratinizada, em formato de placa triangular, localizada na conjuntiva bulbar interpalpebral, pode estar associada, caracteristicamente, a qual das hipovitaminoses abaixo?

Alternativas

  1. A) A
  2. B) B-12
  3. C) D
  4. D) E

Pérola Clínica

Mancha de Bitot (lesão triangular ceratinizada interpalpebral) = Patognomônico de Hipovitaminose A.

Resumo-Chave

A hipovitaminose A causa xeroftalmia; as manchas de Bitot representam o acúmulo de debris de queratina e Corynebacterium xerosis na conjuntiva bulbar.

Contexto Educacional

A deficiência de vitamina A é uma das principais causas de cegueira evitável no mundo, especialmente em países em desenvolvimento. A vitamina A (retinol) é essencial para a manutenção da integridade dos epitélios e para o ciclo visual na retina. Na ausência de retinol, o epitélio respiratório e ocular sofre metaplasia escamosa, perdendo células caliciformes e a produção de muco, o que leva ao ressecamento extremo. As Manchas de Bitot são marcos clínicos fundamentais para o médico generalista e pediatra, pois permitem o diagnóstico visual de uma carência nutricional grave antes que ocorra o derretimento corneano (ceratomalácia). O reconhecimento dessas lesões em exames de rotina ou triagens escolares é crucial para a intervenção precoce e prevenção de morbidade ocular e sistêmica, já que a hipovitaminose A também aumenta a mortalidade por infecções infantis como o sarampo.

Perguntas Frequentes

O que são as Manchas de Bitot?

As Manchas de Bitot são lesões oculares características da deficiência de vitamina A (hipovitaminose A). Clinicamente, apresentam-se como placas esbranquiçadas, de aspecto espumoso ou ceratinizado, geralmente localizadas na conjuntiva bulbar, na fenda interpalpebral, com formato frequentemente triangular. Elas resultam da metaplasia escamosa do epitélio conjuntival e do acúmulo de debris queratínicos misturados com o bacilo Corynebacterium xerosis. Embora sejam um sinal clássico de xeroftalmia, sua presença indica um estágio avançado de depleção de retinol no organismo, exigindo reposição imediata para evitar progressão para ceratomalácia e cegueira irreversível.

Como é feito o tratamento da hipovitaminose A com manifestação ocular?

O tratamento baseia-se na suplementação de vitamina A em doses elevadas, seguindo protocolos da OMS. Para adultos e crianças acima de 12 meses, o esquema padrão envolve a administração de 200.000 UI de vitamina A por via oral no dia do diagnóstico (Dia 0), repetindo a dose no dia seguinte (Dia 1) e uma terceira dose após duas semanas (Dia 14). Em mulheres em idade fértil com sintomas leves (cegueira noturna ou manchas de Bitot), doses menores e mais frequentes são preferidas para evitar teratogenicidade. Além da suplementação, é fundamental tratar doenças associadas, como desnutrição e infecções, e orientar mudanças dietéticas ricas em betacarotenos e retinol.

Quais são os outros sinais de xeroftalmia além das manchas de Bitot?

A xeroftalmia progride em estágios definidos pela classificação da OMS. O sinal mais precoce é a cegueira noturna (XN), onde o paciente apresenta dificuldade de adaptação ao escuro devido à falta de rodopsina. Segue-se a xerose conjuntival (X1A), caracterizada por perda do brilho e ressecamento da conjuntiva, e as manchas de Bitot (X1B). Em estágios mais graves, ocorre a xerose corneana (X2), onde a córnea assume aspecto opaco, evoluindo para ulceração corneana e ceratomalácia (X3), que envolve a necrose liquefativa do estroma corneano. O estágio final é a cicatriz corneana (XS), que resulta em perda visual permanente, e o fundo de olho xerofitálmico (XF).

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