UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Lactente de 33 dias foi trazida à consulta de puericultura. Era filha de pais não consanguíneos e tinha 2 irmãos hígidos; a mãe de 37 anos não apresentou intercorrências no pré-natal. Ao exame, foi identificada hipotonia generalizada. Suspeitou-se de síndrome genética. O teste de triagem neonatal, coletado na UBS, não revelou alterações. Com base no caso, assinale a assertiva correta.
Hipotonia neonatal + triagem neonatal básica normal → investigar Atrofia Muscular Espinhal e Prader-Willi.
A hipotonia é um sinal inespecífico em neonatos que exige ampla investigação. Síndromes como Prader-Willi (deleção cromossômica) e Atrofia Muscular Espinhal (doença do neurônio motor) são causas importantes, especialmente quando a triagem neonatal básica é normal.
A hipotonia neonatal, ou 'síndrome do bebê flácido', é uma manifestação clínica comum de diversas condições neurológicas e sistêmicas, caracterizada pela diminuição do tônus muscular. Sua investigação é um desafio diagnóstico na puericultura, pois pode ser o primeiro sinal de doenças graves, desde síndromes genéticas a infecções congênitas e distúrbios metabólicos. A abordagem diagnóstica inicial visa diferenciar a hipotonia de origem central (SNC) da periférica (unidade motora). A história clínica detalhada e o exame neurológico são cruciais. A Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença do neurônio motor inferior, e a Síndrome de Prader-Willi, uma condição genética complexa, são diagnósticos diferenciais importantes, especialmente quando a triagem neonatal básica não mostra alterações. O manejo depende da causa subjacente. Para a AME, terapias modificadoras da doença revolucionaram o prognóstico. Para Prader-Willi, o manejo é multidisciplinar, focado em suporte nutricional e controle da hiperfagia. A Trissomia do 21, embora curse com hipotonia, geralmente apresenta dismorfismos característicos que guiam a suspeita clínica, sendo o cariótipo o exame confirmatório.
Sinais incluem postura 'em livro aberto' ou de 'rã', dificuldade de sucção, choro fraco e diminuição da movimentação espontânea contra a gravidade. Atraso no desenvolvimento motor é um achado posterior.
A conduta inicial envolve história clínica e exame físico detalhados para classificar a hipotonia como central ou periférica. Exames complementares incluem eletroneuromiografia, CPK, e testes genéticos específicos (ex: MLPA para AME, FISH/metilação para Prader-Willi).
Na AME tipo 1, a hipotonia é severa e acompanhada de fraqueza muscular progressiva, arreflexia e fasciculações linguais, com cognição preservada. Em Prader-Willi, a hipotonia neonatal é acentuada, associada à dificuldade de alimentação, e evolui na infância com hiperfagia e obesidade.
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