HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021
Mulher, 67 anos, técnica de enfermagem aposentada, hígida, há 3 meses procurou a Unidade de Saúde para mostrar exames de rotina. Não apresentava sintomas e os exames laboratoriais evidenciaram hemograma, glicemia e perfil lipídico normais, TSH de 8,2 mUI/L, T4 livre de 1,0 ng/dL. Repetiu provas de função de tireoide na semana passada, e agora retorna com os novos exames, com resultados similares e permanece assintomática. Diante desse caso clínico, qual é a conduta a ser adotada?
Hipotireoidismo subclínico assintomático em idosos com TSH < 10 mUI/L → Observar sem tratamento.
Em pacientes idosos assintomáticos com hipotireoidismo subclínico (TSH elevado e T4 livre normal), especialmente com TSH abaixo de 10 mUI/L, a conduta inicial é a observação. O tratamento com levotiroxina é geralmente reservado para TSH > 10 mUI/L ou para pacientes sintomáticos, devido aos riscos de supertratamento.
O hipotireoidismo subclínico é caracterizado por níveis elevados de TSH com T4 livre normal, sem sintomas evidentes. Sua prevalência aumenta com a idade, especialmente em mulheres. A importância clínica reside no potencial de progressão para hipotireoidismo franco e na associação com desfechos cardiovasculares, embora essa relação seja mais clara com TSH > 10 mUI/L. O diagnóstico é feito com duas dosagens de TSH elevadas e T4 livre normal, com intervalo de algumas semanas. A decisão de tratar depende de fatores como idade, nível de TSH, presença de sintomas e comorbidades. Em idosos assintomáticos, especialmente com TSH entre 4,5 e 10 mUI/L, a observação é a conduta preferencial devido aos riscos de supertratamento e à incerteza sobre os benefícios da terapia. O tratamento com levotiroxina é reservado para TSH > 10 mUI/L, pacientes sintomáticos, gestantes ou mulheres que planejam engravidar, e em alguns casos de bócio ou anticorpos positivos. O acompanhamento regular da função tireoidiana é crucial para monitorar a progressão da doença e ajustar a conduta, garantindo uma prática clínica baseada em evidências para residentes.
O tratamento com levotiroxina é geralmente indicado para idosos com hipotireoidismo subclínico se o TSH for consistentemente > 10 mUI/L, ou se houver sintomas claros de hipotireoidismo, ou em casos de bócio ou anticorpos antitireoidianos positivos.
O tratamento excessivo com levotiroxina pode levar a efeitos adversos como fibrilação atrial, osteoporose, angina e outros sintomas de hipertireoidismo, especialmente em pacientes idosos com comorbidades cardíacas.
Pacientes em observação devem ter a função tireoidiana (TSH e T4 livre) reavaliada a cada 6 a 12 meses, e monitorar o surgimento de sintomas que justifiquem o início do tratamento.
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