FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Em uma consulta ambulatorial de pós-internação você atende uma paciente de 76 anos, 65 kg, que recebeu alta há sete dias do Hospital após período prolongado para tratamento de uma pneumonia nosocomial. Ela tem como antecedentes: hipertensão arterial, dislipidemia, miocardiopatia isquêmica e hipotireoidismo. Está em uso de atorvastatina 80 mg a noite, acido acetilsalicílico 100 mg após almoço, enalapril 10 mg 12/12 horas, carvedilol 6,25 mg 12/12 horas e levotiroxina sódica 50 mcg em jejum. Traz exames laboratoriais colhidos no dia anterior à consulta: TSH 10,56 mU/L (VR 0,5 – 4,5 um/L) e T4 livre 0,96 ng/dL (VR 0,7 – 1,8 ng/dL). Sua conduta correta neste momento será:
TSH ↑ e T4 livre normal em paciente idoso pós-internação → Considerar eutireoidiano doente, manter levotiroxina.
A paciente apresenta TSH elevado com T4 livre normal, configurando hipotireoidismo subclínico. Em idosos, especialmente após doenças agudas ou internações prolongadas, o TSH pode estar transitoriamente elevado (síndrome do eutireoidiano doente), e a conduta inicial é observar e repetir os exames, sem ajuste imediato da dose.
O hipotireoidismo subclínico é uma condição comum, especialmente em idosos, caracterizada por níveis elevados de TSH e níveis normais de T4 livre. A decisão de tratar ou ajustar a dose de levotiroxina nesses pacientes é complexa e deve considerar fatores como idade, comorbidades e contexto clínico. A paciente em questão é idosa e está em recuperação de uma internação prolongada por pneumonia nosocomial. Nesse cenário, é fundamental considerar a síndrome do eutireoidiano doente (SET), também conhecida como síndrome da doença não tireoidiana. A SET é uma adaptação fisiológica a doenças graves, onde há alterações nos testes de função tireoidiana (como TSH elevado e T4 livre normal ou baixo) sem disfunção tireoidiana primária. Essas alterações são geralmente transitórias e se normalizam com a recuperação da doença de base. Em pacientes idosos com hipotireoidismo subclínico, a conduta de manter a dose de levotiroxina e reavaliar a função tireoidiana após a recuperação completa do quadro agudo é frequentemente a mais apropriada. O tratamento excessivo com levotiroxina pode levar a riscos como arritmias cardíacas e osteoporose, especialmente em idosos com comorbidades cardíacas. Portanto, a cautela e a observação são essenciais antes de qualquer ajuste de dose.
O hipotireoidismo subclínico é caracterizado por níveis elevados de TSH e níveis normais de T4 livre. Geralmente é assintomático, mas pode apresentar sintomas leves e inespecíficos de hipotireoidismo, como fadiga ou intolerância ao frio.
A síndrome do eutireoidiano doente é uma alteração transitória dos hormônios tireoidianos que ocorre em pacientes com doenças agudas ou crônicas não tireoidianas graves. Deve-se suspeitar dela em pacientes internados ou em recuperação de quadros graves que apresentam alterações nos testes de função tireoidiana, como TSH elevado com T4 livre normal.
Em idosos, especialmente após internação por doença aguda, a conduta inicial para TSH elevado com T4 livre normal é geralmente a observação e a repetição dos exames de função tireoidiana em 4-6 semanas, pois pode ser uma alteração transitória da síndrome do eutireoidiano doente, sem necessidade de ajuste imediato da levotiroxina.
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