FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Paciente de 81 anos, gênero masculino, comparece em consulta ambulatorial para seguimento de hipertensão e dislipidemia. Faz uso regular de hidroclorotiazida 25 mg/dia, losartan 50 mg/dia e rosuvastatina 10 mg/dia. Não traz novas queixas à consulta. Ao exame físico: PA = 130x70, peso corporal = 60 kg, altura 170 cm, sem alterações significativas cardiovasculares ou respiratórias. Exames de rotina dentro dos parâmetros de referência exceto por TSH = 7,5 mUI/I (VR: 0,5 a 4,5). Diante deste caso, qual deve a conduta com relação à abordagem do resultado do TSH?
Idoso > 80 anos + TSH < 10 mUI/L + assintomático → Conduta expectante.
Os níveis de TSH aumentam fisiologicamente com o envelhecimento. Em pacientes com mais de 80 anos, um TSH entre 4,5 e 10 mUI/L sem sintomas não requer tratamento, pois a reposição de levotiroxina pode trazer riscos cardiovasculares.
O manejo do hipotireoidismo subclínico no idoso exige cautela e individualização. O diagnóstico é definido por TSH elevado com T4 livre normal. No paciente de 81 anos apresentado, o TSH de 7,5 mUI/L é considerado um achado comum e frequentemente benigno. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e de sociedades internacionais sugerem que, para octogenários, o ponto de corte para intervenção seja mais alto. A conduta expectante com repetição do exame em 3 a 6 meses é a mais segura, evitando os efeitos deletérios da reposição hormonal em um sistema cardiovascular já fragilizado pela idade e comorbidades (HAS, dislipidemia).
Estudos epidemiológicos demonstram que a distribuição dos níveis de TSH na população se desloca para valores mais altos conforme a idade avança, sem necessariamente representar doença tireoidiana. Isso pode ser uma adaptação fisiológica do envelhecimento para reduzir o catabolismo. Portanto, valores de TSH até 7-8 mUI/L podem ser considerados normais para indivíduos acima de 80 anos.
O tratamento desnecessário com levotiroxina (iatrogenia) em idosos aumenta o risco de hipertireoidismo subclínico exógeno. Isso está fortemente associado ao desenvolvimento de arritmias cardíacas, especialmente a fibrilação atrial, e ao agravamento de quadros de isquemia coronariana. Além disso, a supressão excessiva do TSH acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de fraturas por osteoporose.
O tratamento é geralmente indicado se o TSH for ≥ 10 mUI/L. Para valores entre o limite superior da referência e 9,9 mUI/L, o tratamento pode ser considerado em idosos mais jovens (< 65-70 anos) se houver sintomas claros de hipotireoidismo, anticorpos anti-TPO positivos ou alto risco cardiovascular. Em pacientes com mais de 80 anos, a tendência atual é não tratar a menos que o TSH ultrapasse 10 mUI/L ou haja sintomas muito exuberantes.
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