IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 56 anos de idade, comparece ao ambulatório para investigação de sensação de "formigamento" e dor no pulso direito há 3 meses. Relata que a dor ocorre predominantemente quando está trabalhando no computador (é secretária de um escritório de advocacia). Além disso, também se queixa de fadiga, humor deprimido e ganho de 5kg, sendo que também notou que seus olhos estão ficando um pouco inchados nos últimos meses. Tem história de doença celíaca, controlada com uma dieta sem glúten. Ao exame, apresenta pressão arterial de 110x74mmHg e frequência cardíaca de 52bpm. Também foi observada dificuldade de abdução do polegar da mão direita e a alteração que pode ser vista na imagem a seguir: Qual das condições abaixo é o diagnóstico que mais provavelmente justifica o quadro da paciente?
Hipotireoidismo → Síndrome do túnel do carpo + fadiga, ganho de peso, bradicardia, edema periorbital.
O hipotireoidismo pode causar uma série de sintomas sistêmicos, incluindo bradicardia, ganho de peso, fadiga e edema. Além disso, a deposição de mucopolissacarídeos nos tecidos pode levar à compressão nervosa, como a síndrome do túnel do carpo, justificando o quadro da paciente.
O hipotireoidismo é uma condição endócrina comum, especialmente em mulheres de meia-idade, caracterizada pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos. Sua importância clínica reside na ampla gama de sintomas inespecíficos que podem atrasar o diagnóstico, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente se não tratado. A prevalência aumenta com a idade e a presença de outras doenças autoimunes. A fisiopatologia envolve a redução dos níveis de T3 e T4, levando a uma desaceleração metabólica generalizada. O diagnóstico é feito pela dosagem de TSH e T4 livre. A suspeita deve surgir diante de sintomas como fadiga, ganho de peso inexplicável, bradicardia, constipação, pele seca, intolerância ao frio e, como no caso, manifestações neuromusculares como a síndrome do túnel do carpo, que é uma neuropatia compressiva comum no hipotireoidismo devido ao acúmulo de mucopolissacarídeos. O tratamento consiste na reposição hormonal com levotiroxina, ajustando a dose para normalizar os níveis de TSH. O prognóstico é excelente com tratamento adequado, mas a adesão e o monitoramento regular são cruciais. É fundamental que residentes e estudantes de medicina considerem o hipotireoidismo no diagnóstico diferencial de quadros com sintomas sistêmicos e inespecíficos, evitando a subdiagnose e o atraso no manejo.
O hipotireoidismo manifesta-se com fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, constipação, pele seca, bradicardia, edema periorbital e, em casos mais avançados, mixedema. Sintomas neurológicos como a síndrome do túnel do carpo também são comuns.
No hipotireoidismo, ocorre deposição de mucopolissacarídeos (ácido hialurônico e condroitim sulfato) nos tecidos, incluindo o ligamento transverso do carpo. Isso aumenta a pressão no túnel do carpo, comprimindo o nervo mediano e causando os sintomas característicos.
A doença celíaca é uma condição autoimune que frequentemente coexiste com outras doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto, a causa mais comum de hipotireoidismo primário. Pacientes com uma doença autoimune têm maior risco de desenvolver outras.
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