FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
O tratamento do hipotireoidismo primário envolve a reposição de levotiroxina, baseados nos ajustes características do paciente. Considerando 0 manejo adequado dessa condição, assinale a alternativa correta:
Jovens: 1,6 mcg/kg/dia; Idosos/Cardiopatas: Iniciar baixo (25-50 mcg) e titular devagar.
O tratamento do hipotireoidismo primário baseia-se na reposição de levotiroxina, com doses iniciais dependentes da idade e comorbidades cardiovasculares do paciente.
O hipotireoidismo primário é caracterizado pela falência da glândula tireoide em produzir hormônios, resultando em TSH elevado e T4 livre baixo. A levotiroxina (T4 sintético) é o tratamento de escolha devido à sua meia-vida longa (7 dias) e conversão periférica estável em T3. A individualização da dose é crucial. Enquanto o cálculo por peso funciona bem para jovens, a fragilidade cardiovascular do idoso exige cautela extrema. Além disso, a absorção da levotiroxina é afetada por alimentos e outros medicamentos, devendo ser ingerida em jejum, pelo menos 30 a 60 minutos antes do café da manhã, para garantir a estabilidade dos níveis séricos.
Em adultos jovens e saudáveis (sem doenças cardíacas), a dose de reposição total estimada é de aproximadamente 1,6 mcg por quilograma de peso corporal por dia. Diferente dos idosos, esses pacientes podem iniciar o tratamento diretamente com a dose alvo calculada, pois possuem reserva funcional cardíaca para tolerar o aumento do metabolismo basal promovido pelo hormônio tireoidiano.
Nesses grupos, a regra de ouro é 'start low and go slow'. Inicia-se geralmente com 25 a 50 mcg por dia, com incrementos graduais a cada 4 a 8 semanas. O objetivo é evitar a sobrecarga cardíaca, já que a levotiroxina aumenta a sensibilidade às catecolaminas e a demanda de oxigênio pelo miocárdio, podendo desencadear fibrilação atrial ou isquemia coronariana.
O padrão-ouro para monitoramento e ajuste de dose no hipotireoidismo primário é o TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide). O T4 livre pode ser usado como adjuvante, mas o TSH reflete com maior precisão a adequação da reposição no nível tecidual. Em idosos, os alvos de TSH costumam ser mais permissivos (ex: 3,0 a 6,0 mU/L) para evitar o risco de tireotoxicose iatrogênica.
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