SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Mulher, 45 anos de idade, apresenta-se na UBS com queixas de fadiga, ganho de peso não intencional, constipação e pele seca, há 3 meses. Refere sentir-se mais sensível ao frio nos últimos meses. Ao exame físico, observa-se FC: 50bpm, PA: 140x100mmHg. A palpação da tireoide revela aumento difuso da glândula, com textura granular e ausência de nódulos palpáveis. Demais exames segmentares sem alterações.Indique a conduta terapêutica inicial mais apropriada para esta paciente:
Hipotireoidismo clínico → Iniciar Levotiroxina (1,6 µg/kg/dia) + Reavaliar TSH em 6-8 semanas.
O tratamento do hipotireoidismo primário baseia-se na reposição de levotiroxina sódica, visando a normalização do TSH, com ajustes de dose realizados após o equilíbrio do eixo (cerca de 6 semanas).
O hipotireoidismo é uma das endocrinopatias mais comuns na atenção primária, sendo a Tireoidite de Hashimoto a principal causa em áreas iodo-suficientes. O diagnóstico é confirmado pelo achado de TSH elevado e T4 livre baixo. O bócio granular e difuso descrito no caso é característico da infiltração linfocitária da glândula. O objetivo do tratamento é restaurar o estado eutireoidiano clínico e laboratorial, melhorando a qualidade de vida e prevenindo complicações como dislipidemia e insuficiência cardíaca. A levotiroxina sintética (T4) é o tratamento de escolha devido à sua estabilidade e longa meia-vida.
Para adultos jovens e saudáveis com hipotireoidismo clínico, a dose plena de reposição é de aproximadamente 1,6 µg/kg de peso ideal por dia. Em pacientes idosos ou com doença cardiovascular conhecida, deve-se iniciar com doses baixas (12,5 a 25 µg/dia) e titular lentamente para evitar sobrecarga cardíaca. A medicação deve ser tomada em jejum, 30 a 60 minutos antes do café da manhã, ou ao menos 3 horas após a última refeição, para garantir a absorção gástrica adequada, que depende de um ambiente ácido.
A levotiroxina tem uma meia-vida longa de cerca de 7 dias. Após o início do tratamento ou qualquer ajuste de dose, o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide leva tempo para se reequilibrar e refletir o novo estado hormonal no nível de TSH. Realizar a coleta antes de 6 a 8 semanas pode resultar em valores que não representam o estado de equilíbrio, levando a ajustes de dose errôneos. Uma exceção é a gestação, onde o monitoramento deve ser mais frequente.
Diversos fatores reduzem a biodisponibilidade da levotiroxina. Medicamentos como carbonato de cálcio, sulfato ferroso, inibidores de bomba de prótons (IBP) e colestiramina interferem na absorção se tomados simultaneamente. Além disso, condições gastrointestinais como gastrite atrófica, infecção por H. pylori e doença celíaca podem exigir doses maiores. O consumo de café ou fibras junto com o comprimido também prejudica significativamente a absorção.
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