INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma mulher com 38 anos de idade procurou atendimento em Unidade Básica de Saúde (UBS) por apresentar, há 4 meses, ganho de peso, fadiga, sonolência excessiva e irritabilidade. A paciente relata sentir-se muito triste, desanimada e com baixa autoestima. Ao exame físico apresentou frequência cardíaca = 58 bpm, pele seca e áspera e edema palpebral bilateral. Os demais aspectos do exame físico estavam inalterados. Os resultados dos exames solicitados indicaram dosagem sérica do hormônio estimulante da tireoide (TSH) = 34 mUI/L (valor de referência: 0,45 a 4,5 mUI/L), tendo sido repetidos e confirmado o resultado, tiroxina sérica (T4 livre) = 0,3 ng/dL (valor de referência: 0,7 a 1,8 ng/dL). Diante desse quadro, foi iniciado tratamento com levotiroxina 100 mcg/dia. Após 6 semanas, foi solicitada a repetição dos exames com os seguintes resultados: TSH = 2,5 mUI/L e T4 livre = 1,2 ng/dL. Nessa ocasião, a paciente referiu melhora quase completa dos sintomas apresentados. Cinco meses depois, essa paciente volta à UBS para consulta expondo a suposição de que a tireoide piorou de novo. Afirma estar tomando corretamente sua medicação. Novos exames realizados nessa ocasião indicam TSH = 2,3 mUI/L e T4 livre = 1,2 ng/dL. Questionada, a paciente informa apresentar muita tristeza, desânimo, falta de concentração e fadiga. Ao exame físico, constata-se que não houve ganho de peso e que não há alteração na tireoide da paciente. Nessa situação, a conduta adequada é:
TSH normal + sintomas persistentes → Investigar depressão/comorbidades, não aumentar levotiroxina.
Quando um paciente com hipotireoidismo atinge o eutiroidismo laboratorial (TSH normal), mas mantém sintomas como fadiga e tristeza, deve-se investigar diagnósticos diferenciais ou comorbidades, como o transtorno depressivo.
O manejo do hipotireoidismo na Atenção Primária exige discernimento entre metas laboratoriais e bem-estar clínico. A levotiroxina tem uma janela terapêutica estreita. Uma vez que o TSH está estável entre 0,4 e 4,5 mUI/L, a persistência de queixas como 'tristeza e falta de concentração' aponta fortemente para transtornos do humor. É fundamental educar o paciente sobre o tempo de resposta ao tratamento hormonal (que pode levar semanas para refletir no bem-estar) e sobre a possibilidade de outras condições estarem mimetizando os sintomas. A biópsia de tireoide (PAAF) mencionada em alternativas incorretas só é indicada para investigação de nódulos suspeitos, não para avaliação funcional ou de sintomas sistêmicos.
Ambas as condições compartilham uma base de sintomas neurovegetativos e psicomotores, como fadiga crônica, lentificação do pensamento, ganho de peso, sonolência e desânimo. A tireoide regula o metabolismo basal e influencia a neurotransmissão, o que explica a sobreposição clínica. Por isso, o rastreio de TSH é rotina na investigação de quadros depressivos, mas a recíproca também é verdadeira: pacientes com tireoidopatia tratada podem ter depressão coexistente.
Se os níveis de TSH e T4 livre estão dentro da faixa de referência (eutiroidismo), a causa dos sintomas provavelmente não é mais a deficiência hormonal. O médico deve realizar uma anamnese detalhada focada em saúde mental, sono, anemia e outras condições sistêmicas. Aumentar a levotiroxina além do necessário não trará benefício clínico e expõe a paciente a riscos como arritmias cardíacas e perda de massa óssea.
Sim, a prevalência de transtornos depressivos e de ansiedade é significativamente maior em pacientes com hipotireoidismo, mesmo após a normalização hormonal. O impacto da doença crônica na qualidade de vida e as alterações biológicas prévias podem predispor ao quadro. O tratamento deve ser multidisciplinar, tratando a tireoide com levotiroxina e a depressão com psicoterapia e/ou antidepressivos, se indicado.
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