UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 73a, retorna à consulta na Unidade Básica de Saúde referindo adinamia e ganho de peso nos últimos três meses. Antecedentes pessoais: doença arterial coronariana, hipertensão arterial e dislipidemia, em uso de losartana, carvedilol, ácido acetil salicílico, clopidogrel e atorvastatina. Exame físico: T=36,2ºC; PA=128x72mmHg; FC=54bpm; FR=10irpm; oximetria de pulso=97% (ar ambiente). Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Reflexos osteotendinosos diminuídos globalmente. TSH=25µUI/mL; T4 livre=0,2ng/dL. A CONDUTA É:
Hipotireoidismo manifesto em idoso cardiopata → Iniciar levotiroxina em dose baixa (12,5-25mcg) e titular lentamente para evitar eventos cardíacos.
O paciente apresenta hipotireoidismo manifesto (TSH muito alto, T4 livre baixo) com sintomas como adinamia, ganho de peso e bradicardia. Em idosos, especialmente com doença cardiovascular preexistente, a levotiroxina deve ser iniciada em dose muito baixa (12,5 a 25 mcg/dia) e titulada lentamente para evitar precipitar arritmias ou isquemia miocárdica.
O hipotireoidismo é uma condição endócrina comum, especialmente em idosos, caracterizada pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos. No paciente idoso, os sintomas podem ser inespecíficos e mascarados por outras comorbidades, como adinamia e ganho de peso, que podem ser atribuídos ao envelhecimento. A importância clínica reside no impacto sistêmico do hipotireoidismo não tratado, incluindo complicações cardiovasculares, neurológicas e metabólicas. O diagnóstico de hipotireoidismo manifesto é confirmado por níveis elevados de TSH e baixos de T4 livre. O tratamento consiste na reposição hormonal com levotiroxina. No entanto, a conduta em idosos, particularmente aqueles com doença cardiovascular preexistente (como o paciente do caso, com DAC, HAS e dislipidemia), requer atenção especial. O metabolismo da levotiroxina pode ser mais lento, e o coração é sensível às alterações abruptas nos níveis hormonais. Em idosos cardiopatas, a levotiroxina deve ser iniciada em doses muito baixas (12,5 a 25 mcg/dia) para evitar a precipitação de angina, arritmias ou infarto do miocárdio. A dose deve ser titulada lentamente, com aumentos graduais a cada 4-6 semanas, monitorando os sintomas clínicos e os níveis de TSH e T4 livre até que o eutireoidismo seja alcançado. Residentes devem estar cientes dessa particularidade para garantir um tratamento seguro e eficaz.
Em idosos, os sintomas de hipotireoidismo podem ser atípicos e inespecíficos, incluindo fadiga, adinamia, ganho de peso, constipação, intolerância ao frio, bradicardia, pele seca, queda de cabelo e diminuição dos reflexos osteotendinosos. A apresentação pode ser mais sutil do que em adultos jovens.
Em idosos, especialmente aqueles com doença cardiovascular preexistente, a dose inicial de levotiroxina deve ser muito baixa, geralmente 12,5 a 25 mcg/dia. O objetivo é evitar a sobrecarga cardíaca e a precipitação de eventos isquêmicos ou arritmias, titulando a dose lentamente a cada 4-6 semanas.
A levotiroxina aumenta o metabolismo e a demanda de oxigênio do miocárdio. Em pacientes com doença arterial coronariana, um aumento abrupto da dose pode precipitar angina, infarto do miocárdio ou arritmias graves. A titulação lenta permite que o sistema cardiovascular se adapte gradualmente ao aumento dos hormônios tireoidianos.
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