UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2015
Paciente de 52 anos, sexo feminino, portadora de transtorno bipolar tipo 1, é encaminhada ao serviço de endocrinologia para avaliação de hipotireoidismo primário. Qual dos medicamentos abaixo pode estar relacionado ao quadro dessa paciente?
Lítio → Hipotireoidismo primário (efeito adverso comum no tratamento do transtorno bipolar).
O carbonato de lítio, amplamente utilizado no tratamento do transtorno bipolar, pode induzir hipotireoidismo primário devido à sua interferência na síntese e liberação de hormônios tireoidianos. É crucial o monitoramento regular da função tireoidiana em pacientes em uso de lítio.
O carbonato de lítio é um estabilizador de humor de primeira linha para o transtorno bipolar, mas seu uso prolongado está associado a diversos efeitos adversos, sendo a disfunção tireoidiana uma das mais relevantes. O hipotireoidismo induzido por lítio afeta uma parcela significativa dos pacientes, com prevalência que varia entre 8% e 30%, e é mais comum em mulheres e idosos. A compreensão dessa relação é crucial para a segurança e eficácia do tratamento. A fisiopatologia envolve a inibição da síntese e liberação de hormônios tireoidianos, além de um possível efeito direto na tireoide, levando à tireoidite. O diagnóstico é feito através do monitoramento regular dos níveis de TSH, que geralmente se elevam antes do aparecimento de sintomas clínicos. A suspeita deve surgir em qualquer paciente em uso de lítio que apresente fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio ou outros sintomas de hipotireoidismo. O manejo do hipotireoidismo induzido por lítio geralmente envolve a reposição de levotiroxina, sem a necessidade de interromper o tratamento com lítio, a menos que haja contraindicações específicas ou efeitos adversos graves. A educação do paciente sobre a importância do monitoramento e a adesão à medicação são fundamentais para garantir a estabilidade do humor e a saúde tireoidiana.
O lítio pode causar hipotireoidismo primário, bócio e, menos frequentemente, hipertireoidismo. O hipotireoidismo é o mais comum, resultando da inibição da síntese e liberação de hormônios tireoidianos.
Recomenda-se o monitoramento dos níveis de TSH a cada 6 a 12 meses, ou mais frequentemente se houver suspeita de disfunção tireoidiana ou ajuste de dose.
O tratamento consiste na reposição de levotiroxina, mantendo o lítio se clinicamente indicado, pois a interrupção pode levar à recorrência do transtorno bipolar.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo