INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher de 47 anos de idade encontra-se em tratamento de longa data para transtorno do humor. Comparece ao ambulatório com queixa de astenia, sonolência, alteração na fala, intolerância ao frio, constipação intestinal e déficit de memória. Ao exame, nota-se frequência cardíaca = 55 bpm, pele seca e descamativa, reflexos tendinosos diminuídos bilateralmente. O quadro clínico apresentado está relacionado a efeito adverso do tratamento com:
Lítio → inibição da liberação de T3/T4 → Hipotireoidismo clínico ou subclínico.
O lítio interfere na síntese e liberação de hormônios tireoidianos, podendo causar hipotireoidismo em até 10-20% dos pacientes em uso crônico.
O lítio é o padrão-ouro no tratamento do transtorno bipolar, mas possui uma janela terapêutica estreita e diversos efeitos colaterais sistêmicos. O hipotireoidismo é uma das complicações endócrinas mais frequentes, ocorrendo mais em mulheres e em pacientes com anticorpos antitireoidianos positivos. O quadro clínico é clássico: bradicardia, pele seca, lentificação psicomotora e constipação. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar diagnósticos errôneos de recidiva depressiva.
O lítio se concentra na glândula tireoide e interfere em várias etapas da síntese hormonal. O mecanismo principal é a inibição da liberação de hormônios tireoidianos (T3 e T4) da glândula para a circulação, mimetizando o efeito de excesso de iodo (efeito Wolff-Chaikoff). Além disso, pode interferir na iodação da tirosina e na estrutura da tireoglobulina. Isso leva a um aumento compensatório do TSH, podendo resultar em bócio e hipotireoidismo clínico ou subclínico.
Não necessariamente. Na maioria dos casos, se o lítio for o estabilizador de humor mais eficaz para o paciente, a conduta recomendada é manter a medicação e iniciar a reposição hormonal com levotiroxina. A suspensão do lítio pode desestabilizar o quadro psiquiátrico, o que muitas vezes representa um risco maior do que o manejo do hipotireoidismo iatrogênico.
As diretrizes recomendam a dosagem de TSH e T4 livre antes de iniciar o tratamento (baseline) e, posteriormente, a cada 6 a 12 meses durante o uso crônico. Se o paciente apresentar sintomas sugestivos de disfunção tireoidiana, como ganho de peso, bradicardia ou depressão refratária, a avaliação deve ser antecipada.
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