Hipotireoidismo Induzido por Lítio: Diagnóstico e Manejo

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025

Enunciado

Ester, 37 anos, faz tratamento para transtorno bipolar desde os 20 anos e atualmente faz uso de 300mg/dia de carbonato de lítio. Procurou a UBS com quadro de ganho ponderal, indisposição, fraqueza e constipação. Ao exame: FC 50bpm; PA 140x90mmHg; pele fria; edema periorbitário; ausculta cardiopulmonar sem alterações; abdome sem alterações; MMII com leve edema perimaleolar; tiroide sem alterações à palpação; tinel positivo bilateralmente e reflexos lentificados. A médica assistente solicita exames de sangue pensando nas seguintes hipóteses diagnósticas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Doença de Graves
  2. B) Síndrome de Sheehan
  3. C) Tireoidite de Hashimoto
  4. D) Hipotireoidismo induzido por lítio

Pérola Clínica

Lítio + sintomas de hipotireoidismo (ganho peso, bradicardia, pele fria, reflexos lentos) → suspeitar hipotireoidismo induzido.

Resumo-Chave

O carbonato de lítio é um estabilizador de humor amplamente utilizado no transtorno bipolar, mas pode induzir hipotireoidismo, especialmente em pacientes com predisposição. Os sintomas são inespecíficos e incluem ganho de peso, fadiga, bradicardia, constipação e reflexos lentificados, exigindo monitoramento da função tireoidiana.

Contexto Educacional

O hipotireoidismo induzido por lítio é uma complicação endócrina comum do tratamento com carbonato de lítio, utilizado principalmente no transtorno bipolar. Afeta cerca de 10-20% dos pacientes em uso crônico, sendo mais prevalente em mulheres e naqueles com história familiar de doença tireoidiana. O reconhecimento precoce é vital para evitar a exacerbação dos sintomas e otimizar o tratamento psiquiátrico. O lítio interfere na função tireoidiana por diversos mecanismos, incluindo a inibição da síntese e liberação de hormônios tireoidianos e a indução de autoimunidade tireoidiana. O diagnóstico é feito pela presença de sintomas clássicos de hipotireoidismo (ganho ponderal, fadiga, bradicardia, constipação, pele fria, reflexos lentificados, edema) em um paciente em uso de lítio, confirmada por exames de TSH e T4 livre. A Síndrome de Sheehan é uma causa de hipopituitarismo pós-parto, e a Doença de Graves é uma causa de hipertireoidismo, sendo ambas hipóteses menos prováveis neste cenário clínico. O tratamento do hipotireoidismo induzido por lítio envolve a reposição de levotiroxina, sem a necessidade de suspender o lítio na maioria dos casos, desde que o benefício psiquiátrico seja superior. O monitoramento regular da função tireoidiana (TSH e T4 livre) é mandatório para todos os pacientes em uso de lítio, idealmente a cada 6-12 meses, para detecção precoce e manejo adequado das disfunções.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas e sinais do hipotireoidismo induzido por lítio?

Os sintomas incluem ganho de peso, fadiga, indisposição, fraqueza, constipação, pele seca e fria, edema periorbitário e bradicardia. Sinais como reflexos lentificados e síndrome do túnel do carpo também podem estar presentes.

Por que o carbonato de lítio pode causar hipotireoidismo?

O lítio interfere na síntese e liberação dos hormônios tireoidianos, inibindo a organificação do iodo e a liberação de T3 e T4 pela glândula tireoide, além de poder induzir ou exacerbar tireoidites autoimunes.

Como diferenciar o hipotireoidismo induzido por lítio de outras causas de hipotireoidismo?

A diferenciação é feita pela história clínica de uso de lítio e exames laboratoriais. Embora os sintomas sejam semelhantes, a etiologia é clara. Doença de Graves é hipertiroidismo. Síndrome de Sheehan é hipopituitarismo pós-parto. Tireoidite de Hashimoto é autoimune, mas pode ser precipitada pelo lítio.

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