SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2025
O principal distúrbio da tireoide no mundo é o bócio endêmico (ou bócio carencial). Todavia, a principal disfunção hormonal tireoidiana é o hipotireoidismo primário caracterizado pela diminuição da produção e secreção dos hormônios tireoidianos. Grupos de causas de hipotireoidismo primário importantes para o médico generalista são tireoidismo de Hashimoto, hipotireoidismo pós-radioiodoterapia, póscirurgia de tireoidectomia, deficiência de iodo alimentar e hipotireoidismo primário induzido por fármacos. Abaixo, estão citados fármacos que geram hipotireoidismo, EXCETO
Sempre monitore a função tireoidiana (TSH) em pacientes em uso crônico de amiodarona, lítio ou interferon.
Diversos medicamentos podem induzir hipotireoidismo primário. A amiodarona, por sua alta concentração de iodo, pode inibir a síntese hormonal (efeito Wolff-Chaikoff). O lítio inibe a liberação de hormônios tireoidianos e pode induzir autoimunidade, assim como o interferon. O paracetamol não tem efeito conhecido sobre a função tireoidiana.
O hipotireoidismo primário é uma condição endócrina comum, caracterizada pela falência da glândula tireoide em produzir quantidades adequadas de hormônios T3 e T4. Embora a causa mais comum em áreas suficientes em iodo seja a Tireoidite de Hashimoto, uma causa iatrogênica importante e frequentemente esquecida é o hipotireoidismo induzido por fármacos. Vários medicamentos podem interferir na função tireoidiana por diferentes mecanismos. A amiodarona, um antiarrítmico rico em iodo, pode causar hipotireoidismo ao inibir a organificação do iodo e a síntese hormonal (efeito Wolff-Chaikoff). O lítio, usado como estabilizador de humor, concentra-se na tireoide e inibe a liberação de T3 e T4, além de poder desencadear tireoidite autoimune. Terapias imunomoduladoras, como interferon e interleucinas, também são conhecidas por induzir tireoidites autoimunes, resultando em hipo ou hipertireoidismo. O diagnóstico é feito pela dosagem de TSH (elevado) e T4 livre (baixo ou normal-baixo). O manejo envolve a reposição hormonal com levotiroxina. A decisão de suspender ou não o fármaco causador depende da indicação clínica do mesmo e da gravidade da disfunção tireoidiana. É fundamental que médicos generalistas e especialistas estejam cientes desses efeitos adversos para realizar o monitoramento adequado em pacientes sob uso crônico dessas medicações.
A amiodarona pode causar tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo. O hipotireoidismo ocorre devido à grande carga de iodo do fármaco, que inibe agudamente a síntese e liberação de hormônios (efeito Wolff-Chaikoff). O hipertireoidismo (TIA) pode ser por excesso de iodo em um bócio preexistente (Tipo 1) ou por uma tireoidite destrutiva (Tipo 2).
O lítio inibe a liberação dos hormônios tireoidianos. Se um paciente desenvolve hipotireoidismo durante o tratamento com lítio, a conduta geralmente é iniciar a reposição com levotiroxina e manter o lítio, caso seja essencial para o controle do transtorno de humor. A suspensão do lítio nem sempre é necessária ou viável.
O monitoramento deve ser feito com a dosagem do TSH sérico antes de iniciar o tratamento e, depois, a cada 6 a 12 meses durante o uso contínuo. Se o TSH estiver alterado, a avaliação deve ser complementada com a dosagem de T4 livre.
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