UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Primigesta, 32 anos de idade, com 15 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal queixando-se de muita sonolência e intolerância ao frio.Traz os seguintes exames: glicemia de jejum = 75 mg/dL (valor de referência < 99 mg/dL); sorologia para toxoplasma gondii = IgG reagente e IgM não reagente ; sorologia para rubéola = IgG reagente e IgM não reagente; VDRL não reagente; TSH (hormônio tireoestimulante) = 15 μUI/ml (valor de referência = 0,4 a 5,0 μUI/ml), T4 (tiroxina) livre = 0,4 ng/dl (valor de referência = 0.7–1.8 ng/dl), T4 total = 3,1 ( valor de referência = 4,5 a 10,9 mcg/dL) hemograma com Hb = 12,0 g/dL (valor de referência = 11,3 a 16,3 g/dL), leucócitos e plaquetas normais. Com base na história clínica e nos resultados dos exames acima apresentados é correto afirmar que:
Hipotireoidismo manifesto na gravidez (TSH ↑, T4 livre ↓) + sintomas → iniciar reposição hormonal com levotiroxina imediatamente para proteger mãe e feto.
O hipotireoidismo manifesto durante a gravidez é uma condição séria que requer tratamento imediato com levotiroxina. Os sintomas como sonolência e intolerância ao frio, combinados com TSH elevado e T4 livre baixo, confirmam o diagnóstico e a necessidade de intervenção para prevenir complicações maternas e, principalmente, comprometimento do desenvolvimento neurocognitivo fetal.
O hipotireoidismo na gravidez é uma condição endócrina comum e de grande relevância clínica, dada a sua associação com desfechos adversos maternos e fetais. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar esses riscos. A triagem da função tireoidiana é recomendada em gestantes com fatores de risco ou sintomas sugestivos. Os sintomas de hipotireoidismo, como fadiga, sonolência, intolerância ao frio, ganho de peso e constipação, podem ser mascarados ou confundidos com queixas comuns da gravidez. No entanto, a presença de TSH elevado e T4 livre baixo confirma o diagnóstico de hipotireoidismo manifesto. É importante ressaltar que os valores de referência para TSH na gravidez são diferentes dos não gestantes e variam por trimestre. O tratamento do hipotireoidismo na gestação é feito com levotiroxina, e a dose geralmente precisa ser aumentada em 25-50% em relação à dose pré-gestacional. O objetivo é manter o TSH dentro da faixa alvo específica para a gestação (geralmente < 2,5 μUI/ml no primeiro trimestre e < 3,0 μUI/ml nos trimestres subsequentes). O monitoramento regular da função tireoidiana é essencial para ajustar a dose e otimizar os resultados para a mãe e o feto.
O hipotireoidismo não tratado na gravidez está associado a riscos maternos (pré-eclâmpsia, aborto, descolamento de placenta) e fetais (prejuízo no desenvolvimento neurocognitivo, prematuridade, baixo peso ao nascer).
Na gravidez, os valores de referência do TSH são mais baixos no primeiro trimestre e aumentam progressivamente. TSH elevado e T4 livre baixo, especialmente com sintomas, indicam hipotireoidismo manifesto que requer tratamento.
O tratamento consiste na reposição hormonal com levotiroxina. A dose deve ser ajustada para manter o TSH dentro da faixa alvo específica para a gestação, e o monitoramento deve ser frequente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo