Hipotireoidismo na Gravidez: Rastreamento e Tratamento

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Com base nas recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), assinale a alternativa correta quanto ao rastreamento e ao tratamento do hipotireoidismo na gravidez.

Alternativas

  1. A) O rastreamento de hipotireoidismo é indicado apenas para gestantes com fatores de risco conhecidos para a doença tireoidiana.
  2. B) A dosagem do TSH é recomendada para todas as gestantes em locais com recursos adequados, preferencialmente no início do primeiro trimestre ou no planejamento pré‑gravídico.
  3. C) O rastreamento universal não é necessário, mas a avaliação da função tireoidiana deve ser feita em gestantes com sintomas de hipotireoidismo ou com história pessoal ou familiar de doença tireoidiana.
  4. D) A terapia de reposição hormonal com levotiroxina é iniciada imediatamente após a confirmação de hipotireoidismo subclínico, independentemente dos valores de TSH.
  5. E) A determinação de anticorpos antitireoidianos é suficiente para o rastreamento do hipotireoidismo em gestantes, sem necessidade de dosagem de TSH.

Pérola Clínica

Rastreamento universal de TSH em gestantes no 1º trimestre ou pré-gravídico, conforme SBEM/Febrasgo, é a conduta correta.

Resumo-Chave

O rastreamento do hipotireoidismo na gravidez, preferencialmente com dosagem de TSH no início do primeiro trimestre ou no planejamento pré-gravídico, é recomendado pelas principais sociedades médicas para identificar e tratar precocemente a disfunção tireoidiana, prevenindo complicações maternas e fetais.

Contexto Educacional

O hipotireoidismo na gravidez é uma condição de grande importância clínica devido aos seus potenciais impactos negativos tanto para a mãe quanto para o feto. A função tireoidiana materna é crucial para o desenvolvimento neurológico fetal, especialmente no primeiro trimestre, antes que a tireoide fetal esteja plenamente funcional e possa produzir seus próprios hormônios. As recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) preconizam o rastreamento universal do hipotireoidismo em gestantes, por meio da dosagem de TSH, preferencialmente no início do primeiro trimestre ou no planejamento pré-gravídico, em locais com recursos adequados. Isso contraria a ideia de rastrear apenas gestantes com fatores de risco, pois muitas mulheres assintomáticas podem ter a condição. O tratamento do hipotireoidismo, seja ele franco ou subclínico (dependendo dos níveis de TSH e da presença de autoanticorpos), é feito com levotiroxina. O objetivo é manter os níveis de TSH dentro das faixas de referência específicas para cada trimestre da gestação, garantindo um desenvolvimento fetal adequado e prevenindo complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e comprometimento cognitivo na prole, o que é vital para a saúde materno-infantil.

Perguntas Frequentes

Por que o rastreamento universal de TSH é recomendado na gravidez?

O rastreamento universal permite identificar gestantes com disfunção tireoidiana subclínica ou franca que, se não tratada, pode levar a complicações maternas (pré-eclâmpsia, aborto) e fetais (desenvolvimento neurológico prejudicado), justificando a intervenção precoce.

Qual o momento ideal para realizar o rastreamento tireoidiano na gestação?

Preferencialmente, a dosagem de TSH deve ser realizada no início do primeiro trimestre (até 8-10 semanas) ou, idealmente, no planejamento pré-gravídico, para permitir o tratamento oportuno e minimizar riscos.

Quando a terapia com levotiroxina é iniciada para hipotireoidismo na gravidez?

A terapia é iniciada para hipotireoidismo franco e, em muitos casos, para hipotireoidismo subclínico, dependendo dos valores de TSH e da presença de anticorpos antitireoidianos, visando manter o TSH dentro da faixa de referência específica para a gestação.

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