MedEvo Simulado — Prova 2026
Letícia, 28 anos, primigesta, comparece à sua primeira consulta de pré-natal com 8 semanas de gestação. Ela é hígida, não utiliza medicamentos de uso contínuo, mas relata que sua mãe faz tratamento para hipotireoidismo de Hashimoto. Durante a anamnese, Letícia questiona se precisa realizar exames para avaliar a tireoide, visto que se sente um pouco mais cansada do que o habitual, embora negue outros sintomas. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, tireoide palpável e de consistência normal, sem nódulos, e frequência cardíaca de 78 bpm. Com base nas recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), assinale a alternativa correta.
Rastreio de TSH na gestação → Recomendado universalmente no 1º trimestre.
SBEM e Febrasgo recomendam a dosagem de TSH para todas as gestantes no início do pré-natal, visando prevenir prejuízos ao desenvolvimento fetal.
O manejo da função tireoidiana na gestação é um tema de grande relevância devido à dependência fetal dos hormônios tireoidianos maternos, especialmente no primeiro trimestre, antes que a tireoide fetal se torne funcional (por volta da 12ª-14ª semana). A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Febrasgo recomendam o rastreamento universal com TSH na primeira consulta de pré-natal ou idealmente na fase pré-concepcional. A interpretação dos exames deve considerar as alterações fisiológicas da gravidez, como o estímulo do receptor de TSH pelo hCG, que tende a reduzir os níveis de TSH no início da gestação. O diagnóstico de hipotireoidismo subclínico (TSH elevado com T4 livre normal) exige atenção especial, pois a decisão terapêutica muitas vezes depende do status dos anticorpos antitireoidianos (Anti-TPO). O objetivo do tratamento é manter o TSH dentro da faixa de normalidade específica para cada trimestre, garantindo um ambiente metabólico adequado para a mãe e o feto.
O rastreamento universal é defendido porque o hipotireoidismo materno, mesmo em formas leves ou subclínicas, está associado a desfechos obstétricos adversos, como abortamento, pré-eclâmpsia e, crucialmente, prejuízos ao desenvolvimento neurocognitivo fetal. Como os sintomas de hipotireoidismo (cansaço, sonolência) se sobrepõem aos sintomas normais da gestação, o rastreio baseado apenas em sintomas ou fatores de risco falha em identificar até 30-50% das mulheres afetadas.
Historicamente, utilizava-se o limite de 2,5 mUI/L para o primeiro trimestre. No entanto, diretrizes mais recentes sugerem que, na ausência de valores de referência locais específicos para a população de gestantes, deve-se considerar o limite superior de normalidade da população geral reduzido em cerca de 0,4-0,5 mUI/L, ou um corte genérico de 4,0 mUI/L, dependendo da diretriz adotada (ATA vs SBEM). A SBEM ainda valoriza cortes mais baixos quando há presença de anticorpos Anti-TPO positivos.
O tratamento com Levotiroxina é fortemente recomendado se o TSH estiver acima de 10 mUI/L (hipotireoidismo franco) ou se o TSH estiver entre o limite superior da normalidade e 10 mUI/L com anticorpos Anti-TPO positivos. Se o Anti-TPO for negativo e o TSH estiver levemente elevado (entre 4,0 e 10 mUI/L), o tratamento pode ser considerado, avaliando-se riscos e benefícios, embora a tendência atual seja tratar para garantir a segurança do desenvolvimento fetal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo