UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Um recém-nascido prematuro tardio com 48 horas de vida encontra-se no alojamento conjunto de uma maternidade, aguardando o momento da alta. O médico assistente realizou os testes de triagem obrigatórios e encontrou os seguintes resultados: TSH = 20 mUI/mL (VR < 10 mUI/mL); saturação de O₂ pré-ductal e pós-ductal em primeira medida = 95% e 91%, respectivamente; teste do reflexo vermelho do olho = presente bilateralmente; emissões otoacústicas = não passou em um dos ouvidos. A respeito do caso clínico precedente, julgue o item subsecutivo. Esse recém-nascido tem hipotireoidismo congênito, portanto deve ser iniciada terapêutica de reposição com levotiroxina.
TSH elevado em RN prematuro tardio (48h) pode ser transitório; não iniciar levotiroxina sem reavaliação ou confirmação.
Em recém-nascidos prematuros, especialmente os tardios, os níveis de TSH podem estar transitoriamente elevados nas primeiras horas ou dias de vida devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Um único TSH alterado na triagem neonatal não é suficiente para iniciar a terapêutica de reposição, sendo necessária a confirmação com nova coleta e/ou dosagem de T4 livre.
A triagem neonatal é um programa de saúde pública essencial para a detecção precoce de doenças congênitas que, se não tratadas, podem levar a sequelas graves. O hipotireoidismo congênito é uma das condições rastreadas, caracterizado pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos, fundamental para o desenvolvimento neurológico. A detecção precoce e o tratamento com levotiroxina previnem o retardo mental. Em recém-nascidos, especialmente os prematuros, a interpretação dos resultados da triagem neonatal para hipotireoidismo congênito exige cautela. O TSH pode estar transitoriamente elevado devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide, principalmente nas primeiras 48-72 horas de vida. Nesses casos, um TSH de 20 mUI/mL, embora acima do valor de referência, não é imediatamente diagnóstico de hipotireoidismo congênito permanente, necessitando de reavaliação. A conduta correta diante de um TSH elevado em prematuros é a repetição do exame de TSH e T4 livre. A terapia de reposição com levotiroxina só deve ser iniciada após a confirmação diagnóstica, evitando tratamentos desnecessários e seus potenciais riscos. É fundamental que os residentes compreendam as particularidades da triagem neonatal em prematuros e a importância da confirmação laboratorial antes de instituir qualquer terapêutica.
Em prematuros, o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide ainda é imaturo, podendo levar a uma elevação transitória do TSH nas primeiras semanas de vida. Além disso, doenças agudas, estresse e medicamentos podem influenciar os resultados da triagem.
A conduta inicial é repetir a dosagem de TSH e T4 livre em um curto período (geralmente em 3-7 dias). A decisão de iniciar a levotiroxina deve ser baseada na persistência da elevação do TSH e/ou na redução do T4 livre, sempre com acompanhamento especializado.
Além do TSH para hipotireoidismo congênito, a triagem neonatal inclui o teste do pezinho ampliado (para diversas doenças metabólicas e genéticas), o teste do olhinho (para doenças oculares), o teste do coraçãozinho (para cardiopatias congênitas críticas) e o teste da orelhinha (para triagem auditiva).
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