Hipotireoidismo Congênito: Diagnóstico Laboratorial e Clínico

FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Lactente de oito meses de vida, sexo feminino, foi encaminhada ao acolhimento de hospital especializado com história de letargia ao amamentar, dificuldade de ganho de peso, constipação intestinal e hipotonia generalizada. Exame físico: peso=5.450 g (score z-3) e estatura = 57 cm (score z-3). Hipoativa, com icterícia leve e palidez. Pele: ressecada, com mixedema em face e membros. Cabeça: fontanelas anterior ampla e posterior, palpável. Aparelho cardiovascular: taquicardia e sopro sistólico. Abdômen: distendido e com hérnia umbilical. Neurológico: hipotonia generalizada. Internada para investigação. Realizadas dosagens de TSH ultrassensível que foi maior que 60 mcUI/ml (VR = 0,4 a 6,0 mcUI/ml) e T4 livre que não foi detectado (VR = 0,8 a 2,3 ng/dl) Restante sem alterações. O diagnóstico provável é:

Alternativas

  1. A) hipopituitarismo
  2. B) doença de Graves
  3. C) mucopolissacaridose
  4. D) hipotireoidismo congênito

Pérola Clínica

TSH muito elevado (>60 mcUI/ml) + T4 livre indetectável + clínica clássica em lactente = Hipotireoidismo Congênito grave.

Resumo-Chave

O quadro clínico de letargia, dificuldade de ganho de peso, constipação, hipotonia, mixedema, fontanelas amplas e hérnia umbilical, associado a TSH extremamente elevado e T4 livre indetectável, é patognomônico de hipotireoidismo congênito.

Contexto Educacional

O hipotireoidismo congênito é uma condição grave que, se não diagnosticada e tratada precocemente, resulta em retardo mental e físico irreversível. A questão descreve um quadro clínico clássico e avançado, compatível com um diagnóstico tardio ou não triado, o que ressalta a importância da triagem neonatal universal. Os sinais e sintomas como letargia, dificuldade de ganho de peso, constipação, hipotonia, mixedema, fontanelas amplas, hérnia umbilical e icterícia prolongada são manifestações da deficiência crônica de hormônios tireoidianos. A taquicardia e o sopro sistólico podem ser secundários à anemia ou disfunção cardíaca, que podem ocorrer em casos graves. Os exames laboratoriais são conclusivos: TSH ultrassensível muito elevado (> 60 mcUI/ml) e T4 livre indetectável confirmam o hipotireoidismo primário grave. O tratamento imediato com levotiroxina é essencial para tentar minimizar as sequelas, embora o prognóstico neurológico seja pior em casos de diagnóstico tardio como o sugerido pela idade e gravidade dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais que confirmam o diagnóstico de hipotireoidismo congênito?

O diagnóstico é confirmado por níveis elevados de TSH (geralmente > 10-20 mcUI/ml) e níveis baixos de T4 livre. Valores de TSH > 60 mcUI/ml e T4 livre indetectável indicam hipotireoidismo congênito grave.

Quais são os sinais e sintomas cardíacos que podem estar presentes no hipotireoidismo congênito?

Pacientes com hipotireoidismo congênito podem apresentar bradicardia (embora taquicardia e sopro sistólico possam ocorrer em casos de anemia ou insuficiência cardíaca associada), cardiomegalia e derrame pericárdico, devido ao efeito dos hormônios tireoidianos no miocárdio.

Como o hipotireoidismo congênito afeta o crescimento e desenvolvimento?

A deficiência de hormônios tireoidianos leva a retardo do crescimento linear e ponderal, atraso na maturação óssea, hipotonia, letargia e, se não tratado, retardo mental irreversível devido ao comprometimento do desenvolvimento cerebral.

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