TSH Neonatal: Interpretação no Teste do Pezinho

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido (RN), filho de mãe com hipotireoidismo tratado e bem controlado, nasceu a termo com pré-natal sem intercorrências. Atualmente com 14 dias de vida, foi atendido na Unidade Básica de Saúde para apresentar o resultado do Teste do Pezinho. A mãe refere que a coleta ocorreu no quarto dia de vida. A dosagem de TSH foi 4,5 m U/L. O RN encontra-se clinicamente bem e sem alterações ao exame físico. Considerando que nesse centro de triagem neonatal o valor de corte de hormônio tireoestimulante (TSH) é 10 mU/L, qual a conduta para esse recém-nascido baseado no Programa Nacional de Triagem Neonatal do Brasil?

Alternativas

  1. A) Considerar o exame normal e manter a puericultura.
  2. B) Agendar consulta com o endocrinologista urgente.
  3. C) Convocar para repetição de TSH e dosagem de T4.
  4. D) Iniciar imediatamente o tratamento com a Levotiroxina.

Pérola Clínica

TSH neonatal < valor de corte (10 mU/L) em RN assintomático = exame normal. Manter puericultura.

Resumo-Chave

O hipotireoidismo congênito é rastreado pelo Teste do Pezinho, que dosa o TSH. Um TSH abaixo do valor de corte estabelecido pelo centro de triagem (neste caso, 10 mU/L) em um recém-nascido clinicamente bem, mesmo com mãe hipotireoidea tratada, indica um resultado normal, não exigindo condutas adicionais além da puericultura de rotina.

Contexto Educacional

O hipotireoidismo congênito (HC) é uma das doenças mais importantes rastreadas pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) no Brasil, através do Teste do Pezinho. Sua relevância reside no fato de que o diagnóstico e tratamento precoces (idealmente antes dos 30 dias de vida) são essenciais para prevenir o retardo mental e outras sequelas neurológicas irreversíveis. A incidência é de aproximadamente 1:3000 a 1:4000 nascidos vivos. A triagem para HC é realizada pela dosagem do hormônio tireoestimulante (TSH) em amostra de sangue coletada em papel filtro, geralmente entre o 3º e o 5º dia de vida. Um TSH elevado (> valor de corte, que pode ser 10 mU/L ou 15 mU/L dependendo do centro e da idade da coleta) sugere HC e exige a convocação do RN para exames confirmatórios (TSH e T4 livre séricos). No caso apresentado, o TSH do RN foi de 4,5 mU/L, que está abaixo do valor de corte de 10 mU/L estabelecido pelo centro de triagem. A mãe ter hipotireoidismo tratado e bem controlado não aumenta o risco de HC no RN, pois o TSH materno não atravessa a placenta e o tratamento materno com levotiroxina não afeta a função tireoidiana fetal diretamente. Portanto, com um TSH dentro da normalidade e um RN clinicamente bem, a conduta correta é considerar o exame normal e prosseguir com a puericultura de rotina.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Teste do Pezinho para o hipotireoidismo congênito?

O Teste do Pezinho é crucial para o diagnóstico precoce do hipotireoidismo congênito, uma condição que, se não tratada, pode levar a retardo mental grave e irreversível. A detecção precoce permite o início imediato do tratamento.

Qual o valor de corte usual para o TSH neonatal no Teste do Pezinho?

O valor de corte para o TSH neonatal pode variar ligeiramente entre os centros de triagem, mas frequentemente é estabelecido em 10 mU/L. Valores acima desse limite exigem investigação adicional.

A mãe ter hipotireoidismo tratado afeta o resultado do TSH do RN?

O hipotireoidismo materno bem controlado geralmente não causa hipotireoidismo congênito no RN. O TSH do RN reflete a função tireoidiana do próprio bebê. Anticorpos maternos podem, em casos raros, afetar transitoriamente a tireoide do RN, mas o TSH baixo indica função normal.

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