Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Uma paciente de 37 anos de idade foi ao consultório médico para controle de pressão. Refere que a avaliação para começar a academia estava alterada. Conta que está mais triste há cerca de três meses e associa a tristeza com a perda do marido (infarto fulminante). Sente-se mais desanimada e com falta de energia. Pelo cansaço, não tem vontade de sair de casa, saindo apenas para o trabalho. Apesar de estar com sono ao longo do dia, conta que dorme bem e não tem dificuldade para iniciar o sono. Não teve ganho de peso nem se sente culpada, mas a memória e a concentração estão ruins como sempre. O médico perguntou-lhe sobre pensar em suicídio e a paciente respondeu que nunca pensou, mas que, há pelo menos seis meses, está com a pele mais ressecada e com o intestino mais preso. Ao exame físico, pressão arterial de 146 x 90 mmHg, IMC de 27 e demais exames dentro da normalidade. Ao exame psíquico: asseada; com contato fácil; colaborativa; consciente; com orientação alo e autopsíquica preservada; com humor deprimido; normomodulante; com pensamento não delirante, agregado e com curso normal; e não foi observada alteração de psicomotricidade, sensopercepção, memória ou atenção. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o diagnóstico mais provável, o exame solicitado ou a conduta imediata e o tipo de prevenção indicado.
Tristeza, fadiga, pele seca, constipação, PA alta + TSH baixo/T4 baixo = Hipotireoidismo (primário) → Solicitar TSH para confirmar.
A paciente apresenta sintomas inespecíficos que podem mimetizar depressão ou luto, mas a presença de pele ressecada e intestino preso, além de hipertensão, levanta forte suspeita de hipotireoidismo. A investigação inicial deve incluir a dosagem de TSH para confirmar ou excluir essa condição, que é tratável e pode explicar muitos dos sintomas.
Pacientes que se apresentam com queixas inespecíficas como astenia, tristeza, fadiga e alterações de humor podem representar um desafio diagnóstico. É crucial que o residente não se limite a diagnósticos psiquiátricos, mas sempre considere causas orgânicas subjacentes, especialmente aquelas que são tratáveis. O hipotireoidismo é um excelente exemplo, pois seus sintomas podem mimetizar depressão, luto ou síndrome de fadiga crônica. Neste caso, a paciente apresenta sintomas como tristeza, desânimo, falta de energia, pele ressecada e intestino preso, além de hipertensão. Embora o luto pela perda do marido seja um fator importante, a presença de sinais como pele seca e constipação, que são clássicos do hipotireoidismo, deve levantar a suspeita. A hipertensão também pode estar associada à disfunção tireoidiana. A conduta imediata e mais apropriada é solicitar a dosagem de TSH para confirmar ou excluir o hipotireoidismo. Se confirmado, o tratamento com levotiroxina é a prevenção terciária, visando controlar a doença, aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. A abordagem deve ser holística, considerando tanto os aspectos físicos quanto os emocionais da paciente.
Além da tristeza e fadiga, sintomas como pele ressecada, constipação, ganho de peso, intolerância ao frio, bradicardia e hipertensão arterial podem indicar hipotireoidismo e devem ser investigados.
O TSH (hormônio estimulante da tireoide) é o exame mais sensível para rastrear disfunções tireoidianas. Níveis elevados de TSH, mesmo com T4 livre normal, podem indicar hipotireoidismo subclínico ou franco.
A prevenção terciária visa reduzir o impacto de uma doença já estabelecida, minimizando complicações e melhorando a qualidade de vida. No hipotireoidismo, isso envolve o tratamento com levotiroxina para controlar os sintomas e prevenir sequelas.
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