Depressão Refratária e Bradicardia: Investigando Hipotireoidismo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 33 anos vai a uma consulta com um clínico geral por se sentir muito deprimida, referindo tristeza e desânimo, que começaram há 6 meses. Ela conta que é natural e procedente de São Paulo, programadora de computadores, católica não praticante, casada há 6 anos, com dois filhos, e que é sedentária. Refere sentir muita fadiga, cansaço, indisposição e sono e que ganhou 7 kg nesse período. Nega ter pensamentos de morte, de culpa ou de menos-valia. Conta, também, que recebeu diagnóstico de depressão e, por isso, usou fluoxetina durante 2 meses, até 60 mg por dia, sem apresentar melhora significativa. Por fim, referiu ter irregularidade menstrual e constipação. Ao exame, apresenta-se hidratada, corada, afebril, sem edemas, anictérica. Seus sinais vitais estão sem alterações, exceto a frequência cardíaca que está 48 batimentos por minuto em repouso. À ausculta cardíaca, notam-se bulhas normofonéticas, sem sopros.Diante desse quadro, o principal diagnóstico diferencial a ser investigado é

Alternativas

  1. A) transtorno depressivo persistente.
  2. B) transtorno depressivo secundário.
  3. C) transtorno de somatização.
  4. D) síndrome de Burnout.

Pérola Clínica

Sintomas depressivos refratários, bradicardia, ganho de peso, fadiga, constipação e irregularidade menstrual → Investigar hipotireoidismo.

Resumo-Chave

A presença de sintomas depressivos atípicos ou refratários ao tratamento, associados a sinais e sintomas sistêmicos como bradicardia, ganho de peso, fadiga, constipação e irregularidade menstrual, deve levantar forte suspeita de hipotireoidismo como causa subjacente ou contribuinte.

Contexto Educacional

A depressão é um transtorno mental comum, mas é crucial que o clínico geral esteja atento a diagnósticos diferenciais e causas secundárias, especialmente quando os sintomas são atípicos ou o tratamento inicial falha. O transtorno depressivo secundário refere-se à depressão que é consequência de outra condição médica, uso de substâncias ou medicamentos. Neste caso, a paciente apresenta uma constelação de sintomas que, embora possam ser atribuídos à depressão, são altamente sugestivos de hipotireoidismo. A fadiga, ganho de peso, constipação e irregularidade menstrual são sintomas clássicos de hipofunção tireoidiana. A bradicardia (FC de 48 bpm) é um achado físico importante que reforça essa suspeita, pois o hipotireoidismo pode causar diminuição da frequência cardíaca. A falha terapêutica com fluoxetina em dose adequada por um período razoável também aponta para a necessidade de investigar causas orgânicas. O diagnóstico de hipotireoidismo é feito por exames laboratoriais (TSH e T4 livre), e o tratamento com levotiroxina geralmente leva à melhora dos sintomas, incluindo os depressivos.

Perguntas Frequentes

Quais sintomas sugerem hipotireoidismo em um paciente com queixa de depressão?

Sintomas como fadiga intensa, ganho de peso inexplicável, constipação, intolerância ao frio, pele seca, queda de cabelo, irregularidade menstrual e bradicardia devem levantar a suspeita de hipotireoidismo.

Por que a fluoxetina pode não ter sido eficaz neste caso?

A fluoxetina pode não ter sido eficaz porque a causa subjacente dos sintomas depressivos pode ser orgânica, como o hipotireoidismo, e não um transtorno depressivo primário. O tratamento da causa orgânica é fundamental para a melhora.

Qual exame laboratorial é essencial para investigar o hipotireoidismo?

O exame laboratorial essencial para investigar o hipotireoidismo é a dosagem do TSH (hormônio tireoestimulante). Níveis elevados de TSH com T4 livre baixo confirmam o hipotireoidismo primário.

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