Tireoidite de Hashimoto: Diagnóstico e Relação com DM1

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 41 anos de idade, apresenta constipação intestinal há 3 semanas e fadiga há 2 semanas. Ela afirma que há 3 meses apresentou palpitações e diarreia por algumas semanas, com melhora espontânea. Antecedente pessoal: diabetes mellitus tipo 1 desde os 20 anos. Exame físico: afebril; FC = 48 bpm; PA = 124/88 mmHg; IMC = 22 kg/m2; tireoide indolor à palpação, com volume normal, sem outras alterações; pele fria e seca e cabelos ralos no couro cabeludo; edema não depressível +/4+ em ambas as extremidades inferiores. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual é a alteração de exame a ser encontrada?

Alternativas

  1. A) Diminuição dos níveis do hormônio tiroestimulante.
  2. B) Captação difusa de iodo radioativo na cintilografia da tiroide.
  3. C) Anticorpos anti-tiroperoxidase positivos.
  4. D) Padrão homogêneo do parênquima na ultrassonografia da tiroide.

Pérola Clínica

DM1 + sintomas de hipo/hipertireoidismo cíclicos + bradicardia/constipação/pele seca → Tireoidite de Hashimoto (autoimune).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de hipotireoidismo (constipação, fadiga, bradicardia, pele seca, edema) e histórico de hipertireoidismo transitório, além de Diabetes Mellitus tipo 1, sugerindo uma doença autoimune poliglandular. A Tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo autoimune, caracterizada pela presença de anticorpos anti-tiroperoxidase (anti-TPO) e/ou anti-tireoglobulina.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro clínico sugestivo de hipotireoidismo, com sintomas como constipação, fadiga, bradicardia, pele fria e seca, cabelos ralos e edema. O histórico de palpitações e diarreia prévias, com melhora espontânea, pode indicar uma fase inicial de tireoidite autoimune com tireotoxicose transitória, seguida pela fase de hipotireoidismo. A presença de Diabetes Mellitus tipo 1 é um forte indicativo de doença autoimune poliglandular, sendo a Tireoidite de Hashimoto a causa mais comum de hipotireoidismo em pacientes com DM1. A Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, levando à sua destruição progressiva e, consequentemente, à diminuição da produção de hormônios tireoidianos. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de TSH (geralmente elevado) e T4 livre (geralmente baixo), e pela pesquisa de anticorpos tireoidianos, principalmente os anticorpos anti-tiroperoxidase (anti-TPO) e anti-tireoglobulina. A positividade desses anticorpos confirma a etiologia autoimune. O tratamento consiste na reposição hormonal com levotiroxina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do hipotireoidismo?

Os sintomas do hipotireoidismo incluem fadiga, ganho de peso, constipação, intolerância ao frio, pele seca, cabelos ralos, bradicardia e edema não depressível, refletindo a lentificação metabólica.

Qual a relação entre Diabetes Mellitus tipo 1 e Tireoidite de Hashimoto?

Ambas são doenças autoimunes e frequentemente coexistem, caracterizando a síndrome poliglandular autoimune tipo 2. Pacientes com DM1 têm maior risco de desenvolver tireoidite autoimune.

Por que os anticorpos anti-TPO são importantes no diagnóstico da Tireoidite de Hashimoto?

Os anticorpos anti-tiroperoxidase (anti-TPO) são marcadores de autoimunidade tireoidiana e estão presentes na maioria dos pacientes com Tireoidite de Hashimoto, confirmando a etiologia autoimune da disfunção tireoidiana.

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