Sangramento no 1º Trimestre: Hipótese Diagnóstica

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 29a, gestante de nove semanas procura o Pronto Atendimento com dor em baixo ventre e pequeno sangramento via vaginal há um dia. Exame físico: bom estado geral; corada; PA=122x74mmHg; FC=88bpm. Abdome indolor à palpação, sem visceromegalias. Ginecológico: especular= presença de pequena quantidade de sangue escuro em saco vaginal, sem saída ativa de colo uterino; toque= útero em anteroversoflexão, consistência amolecida, aumentado para oito semanas, colo impérveo, anexos palpáveis e indolores. Beta HCG=5.000UI/mL. Ultrassonografia transvaginal: útero em anteversoflexão, medindo 79x48x60mm (volume=118,31cm³); miométrio de textura homogênea; endométrio heterogêneo medindo 10mm; ovário direito medindo 23x22x11mm (volume=2,9cm³) e ovário esquerdo medindo 21x14x19mm (volume=2,9cm³). A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É: 

Alternativas

Pérola Clínica

Gravidez 9 semanas, sangramento, colo impérveo, útero < idade gestacional, endométrio heterogêneo sem saco gestacional → Aborto Retido / Gravidez Anembrionária.

Resumo-Chave

A combinação de sangramento vaginal, colo uterino fechado, útero com tamanho inferior ao esperado para a idade gestacional e um endométrio heterogêneo sem visualização de saco gestacional ou embrião intrauterino é altamente sugestiva de uma gestação não evolutiva, como aborto retido ou gravidez anembrionária.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no primeiro trimestre da gravidez é uma queixa comum que gera grande ansiedade e requer uma investigação cuidadosa. As causas são variadas, desde condições benignas como o sangramento de implantação até emergências como a gravidez ectópica ou abortos. A avaliação inicial inclui a história clínica, exame físico (especular e toque vaginal) e exames complementares como a dosagem de beta-hCG e a ultrassonografia transvaginal. No caso apresentado, a paciente com 9 semanas de gestação, dor em baixo ventre e sangramento, associado a um colo uterino impérveo e um útero com tamanho menor que o esperado (8 semanas), já levanta a suspeita de uma gestação não evolutiva. O achado ultrassonográfico de endométrio heterogêneo de 10mm, sem menção de saco gestacional ou embrião intrauterino, reforça a hipótese. O beta-hCG de 5.000 UI/mL, embora positivo, não é suficiente para descartar uma gestação inviável, especialmente se não houver correlação com achados ultrassonográficos. A hipótese diagnóstica mais provável neste cenário é de aborto retido ou gravidez anembrionária. Em ambos os casos, a gestação não é viável, o colo uterino permanece fechado e o útero pode não crescer adequadamente. A conduta subsequente dependerá da confirmação diagnóstica e da preferência da paciente, podendo incluir conduta expectante, medicamentosa ou cirúrgica para esvaziamento uterino.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangramento vaginal no primeiro trimestre de gravidez?

As principais causas incluem ameaça de aborto, aborto incompleto ou completo, gravidez anembrionária, aborto retido, gravidez ectópica e sangramento de implantação. Menos frequentemente, pode ser devido a lesões cervicais ou vaginais.

Como a ultrassonografia transvaginal auxilia no diagnóstico diferencial do sangramento no primeiro trimestre?

A ultrassonografia transvaginal é crucial para determinar a localização da gestação (intra ou extrauterina), a presença de saco gestacional e embrião, a viabilidade fetal (batimentos cardíacos) e o tamanho uterino, diferenciando entre gestações viáveis, abortos e gravidez ectópica.

Qual a diferença entre aborto retido e gravidez anembrionária?

No aborto retido, há um embrião ou feto que parou de se desenvolver e morreu, mas permanece no útero. Na gravidez anembrionária (ovo cego), um saco gestacional se desenvolve, mas não há formação de embrião visível dentro dele. Ambos são gestações não evolutivas com colo uterino geralmente fechado.

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