Hipotermia Pós-Operatória: Sinais Clínicos e Onda J de Osborn

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2023

Enunciado

Idoso, 82 anos, é submetido à toracotomia para tratamento de neoplasia pulmonar avançada. Atualmente em tratamento de carcinoma espinocelular de pulmão. Hipertenso e diabético em uso de enalapril e metformina. A cirurgia teve duração de 7 horas, com grandes perdas hemorrágicas e necessidade de transfusão maciça. O paciente é encaminhado à unidade de terapia intensiva estável, extubado, em uso de cateter de oxigênio 3l/min, em ventilação espontânea, consciente, hipotérmico. Após admissão em terapia intensiva iniciou quadro de fasciculações, bradicardia e confusão mental súbita. Nega dor torácica. Nega dispneia. Mantém-se estável hemodinamicamente. Tem eletrocardiograma prévio normal. Realizou o eletrocardiograma abaixo. Qual a principal hipótese diagnóstica e alteração eletrocardiográfica que justifique tal quadro agudo?

Alternativas

  1. A) Síndrome coronariana aguda. Lesão epicárdica em parede inferior (DII, DIII, AVF).
  2. B) Oclusão de tronco coronário. Bloqueio atrioventricular total.
  3. C) Trombose da artéria coronária direita. Bloqueio de ramo direito novo.
  4. D) Hipotermia. Onda “J” de Osborn.

Pérola Clínica

Hipotermia → Bradicardia, confusão, fasciculações + Onda J de Osborn no ECG.

Resumo-Chave

A hipotermia é uma complicação comum no pós-operatório de cirurgias prolongadas e com grandes perdas, especialmente em idosos. Os sintomas neurológicos (confusão, fasciculações), cardiovasculares (bradicardia) e as alterações eletrocardiográficas, como a clássica Onda J de Osborn (ou onda de onda de 'camel-hump'), são achados típicos que justificam a hipótese diagnóstica.

Contexto Educacional

A hipotermia é uma complicação comum e potencialmente grave no período perioperatório, especialmente em cirurgias de grande porte, prolongadas ou em pacientes idosos. A temperatura corporal central abaixo de 36°C pode levar a uma série de disfunções orgânicas, incluindo coagulopatia, aumento do risco de infecções, disfunção cardíaca e neurológica. O reconhecimento precoce e o manejo ativo da hipotermia são fundamentais para melhorar os desfechos pós-operatórios. A monitorização contínua da temperatura e a reaquecimento ativo são medidas essenciais na unidade de terapia intensiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da hipotermia em pacientes pós-operatórios?

Os achados clínicos da hipotermia incluem tremores (que podem estar ausentes em hipotermia grave), bradicardia, hipotensão, arritmias cardíacas (fibrilação atrial, fibrilação ventricular), alterações neurológicas como confusão mental, letargia, fasciculações e até coma. A coagulopatia e a disfunção renal também são comuns.

O que é a Onda J de Osborn e qual sua importância no ECG de pacientes hipotérmicos?

A Onda J de Osborn é uma deflexão positiva proeminente, em forma de dom ou 'camel-hump', que ocorre na junção do complexo QRS e o segmento ST (ponto J) no eletrocardiograma. É um achado patognomônico de hipotermia, embora não esteja presente em todos os casos, e sua presença indica um grau significativo de hipotermia, geralmente abaixo de 32°C.

Como a hipotermia afeta o sistema cardiovascular e neurológico?

No sistema cardiovascular, a hipotermia causa bradicardia e aumenta o risco de arritmias malignas, como fibrilação ventricular, devido à instabilidade elétrica miocárdica. No sistema neurológico, retarda a condução nervosa, levando a confusão mental, letargia, diminuição dos reflexos e, em casos graves, coma. As fasciculações podem ser um sinal de irritabilidade neuromuscular.

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