UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente de 68 anos, foi submetido a uma laparotomia exploradora de 5 horas após um trauma abdominal. Durante o procedimento, foi realizada irrigação com solução, além de transfusões de sangue e administração de grandes volumes de fluidos. No pós-operatório, o paciente apresenta tremores intensos, pele fria e pálida, temperatura central de 34℃, bradicardia de 45 bpm e pressão arterial de 85/50 mmHg. Qual a conduta imediata mais apropriada para esse paciente?
Hipotermia grave (34°C) + Bradicardia + Hipotensão → Aquecimento ativo + Fluidos aquecidos IMEDIATO.
A hipotermia perioperatória prejudica a coagulação e a função cardíaca. O tratamento prioritário é o aquecimento ativo e a infusão de fluidos aquecidos para restaurar a homeostase.
A hipotermia acidental é comum em cirurgias longas e traumas, compondo a 'tríade letal' junto com a acidose e a coagulopatia. O resfriamento ocorre por radiação, condução, convecção e evaporação, além da perda da termorregulação central pelos anestésicos. No pós-operatório, o tremor (shivering) aumenta o consumo de oxigênio em até 400%, o que é perigoso para pacientes idosos ou com reserva cardíaca limitada. A prioridade absoluta é o reaquecimento seguro e monitorizado para estabilizar o ritmo cardíaco e a pressão arterial.
A hipotermia (temperatura central < 36°C) aumenta o risco de infecção do sítio cirúrgico, prolonga a recuperação anestésica, causa disfunção plaquetária (aumentando o sangramento) e predispõe a eventos cardíacos adversos, como arritmias e isquemia miocárdica, devido ao estresse adrenérgico e tremores.
Em casos de hipotermia moderada a grave (como 34°C), deve-se associar métodos de aquecimento passivo (cobertores) com métodos ativos externos (mantas térmicas de ar forçado) e ativos internos (infusão de cristaloides e hemoderivados aquecidos a 38-42°C). Em casos extremos e refratários, técnicas de circulação extracorpórea podem ser consideradas.
A hipotermia reduz a taxa de despolarização espontânea do nó sinoatrial e retarda a condução nervosa cardíaca. Abaixo de 32-34°C, o coração torna-se progressivamente bradicárdico e menos responsivo a estímulos autonômicos ou drogas como a atropina, podendo evoluir para fibrilação ventricular se o manuseio for brusco ou o aquecimento inadequado.
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