Hipotermia Perioperatória: Impacto e Prevenção de Infecções

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Pacientes cirúrgicos estão suscetíveis a infecções de sítio cirúrgico e nosocomiais que podem ser prevenidas ou reduzidas quando há um empenho da equipe cirúrgica. Nesse sentido, uma condição que pode desfavorecer o desfecho cirúrgico no pós-operatório é

Alternativas

  1. A) a hipovolemia, pois gera imunossupressão, aumentando a mortalidade após o trauma cirúrgico, podendo ser agravada com o uso de cristaloides.
  2. B) a hipóxia, pois gera imunossupressão, aumentando a mortalidade após o trauma cirúrgico, podendo ser agravada sem o uso de oxigênio nas cirurgias eletivas.
  3. C) a hipotermia, pois gera imunossupressão, aumentando a mortalidade após o trauma cirúrgico, podendo ser agravada sem o uso de manta térmica.
  4. D) a hiperglicemia, pois gera imunossupressão, aumentando a mortalidade após o trauma cirúrgico, podendo ser agravada com glicemias < 200 mg/dL.

Pérola Clínica

Hipotermia perioperatória → imunossupressão, coagulopatia, ↑ risco infecção sítio cirúrgico e mortalidade.

Resumo-Chave

A hipotermia perioperatória é um fator de risco modificável que compromete a resposta imune, a coagulação e a cicatrização, aumentando significativamente a morbimortalidade pós-operatória, incluindo infecções de sítio cirúrgico.

Contexto Educacional

A hipotermia perioperatória, definida como temperatura central abaixo de 36°C, é uma complicação comum em pacientes cirúrgicos, especialmente em procedimentos prolongados. Ela resulta da combinação de fatores como a exposição ao ambiente frio da sala cirúrgica, a administração de fluidos não aquecidos e a supressão da termorregulação pela anestesia. Os efeitos da hipotermia são sistêmicos e deletérios. Ela causa vasoconstrição periférica, o que diminui a perfusão tecidual e a entrega de oxigênio, prejudicando a cicatrização e a função imune. Além disso, a hipotermia afeta a cascata de coagulação, aumentando o risco de sangramento, e pode prolongar o tempo de recuperação anestésica. A imunossupressão induzida pela hipotermia é um fator chave para o aumento da incidência de infecções de sítio cirúrgico. A prevenção da hipotermia é uma medida crucial para otimizar os desfechos cirúrgicos. Estratégias incluem o uso de mantas térmicas ativas, aquecimento de fluidos intravenosos e de irrigação, e o monitoramento contínuo da temperatura corporal. A manutenção da normotermia é uma prática baseada em evidências que reduz significativamente a morbimortalidade pós-operatória e deve ser uma prioridade para toda a equipe cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais os principais riscos da hipotermia perioperatória?

Os principais riscos incluem aumento da incidência de infecções de sítio cirúrgico, coagulopatia com maior sangramento, prolongamento do tempo de recuperação anestésica, aumento da demanda miocárdica e maior tempo de internação.

Como a hipotermia aumenta o risco de infecção?

A hipotermia causa vasoconstrição periférica, reduzindo o fluxo sanguíneo e a entrega de oxigênio e células imunes aos tecidos, além de prejudicar a função neutrofílica, comprometendo a resposta imune local.

Quais medidas podem prevenir a hipotermia em cirurgia?

Medidas incluem aquecimento ativo do paciente (mantas térmicas, colchões de ar quente), aquecimento de fluidos intravenosos e de irrigação, e manutenção de temperatura ambiente adequada na sala cirúrgica.

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