PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023
ILG, sexo feminino, 66 anos, hipertensa, em uso de hidroclorotiazida e losartana, foi submetida a laparotomia para realização de gastrectomia subtotal oncológica, sob anestesia geral. O procedimento teve duração de 3 horas e 30 minutos e não houve intercorrências. Optou-se por encaminhar a paciente para leito de terapia semi-intensiva para cuidados pósoperatórios. Assinale a alternativa ERRADA:
Hipotermia per-operatória é primariamente por ambiente frio, fluidos e anestesia, não pela resposta orgânica ao trauma.
A hipotermia per-operatória é uma complicação comum, principalmente devido à exposição ambiental, infusão de fluidos frios e efeitos da anestesia na termorregulação. A resposta orgânica ao trauma, por si só, não é a causa primária da queda de temperatura, mas sim a inibição dos mecanismos compensatórios.
O manejo pós-operatório de pacientes submetidos a grandes cirurgias, como a gastrectomia oncológica, exige atenção a diversas complicações. A febre é uma ocorrência comum no período pós-operatório e pode ter múltiplas etiologias. Nas primeiras 48 horas, a atelectasia pulmonar é a causa mais frequente, decorrente da hipoventilação e acúmulo de secreções. A febre também pode ser uma resposta inflamatória sistêmica estéril à injúria cirúrgica, com absorção de produtos de degradação tecidual. A hipotermia per-operatória, por outro lado, é uma complicação que ocorre predominantemente durante o procedimento cirúrgico. Ela é causada principalmente pela exposição do paciente ao ambiente frio da sala cirúrgica, pela infusão de grandes volumes de fluidos intravenosos não aquecidos e pelos efeitos da anestesia geral, que inibe os mecanismos termorregulatórios centrais, como a vasoconstrição e o tremor. A queda de temperatura de 1ºC a 1,5ºC é comum e deve ser ativamente prevenida. A identificação e o manejo precoce das complicações são cruciais. Sinais como aumento da dor abdominal, febre e leucocitose após o 4º dia pós-operatório são alarmantes e sugerem complicações infecciosas ou cirúrgicas, como fístulas ou abscessos, demandando investigação por métodos de imagem como a tomografia computadorizada. O conhecimento dessas nuances é essencial para a prática segura do residente.
A causa mais comum de febre nas primeiras 48 horas de pós-operatório é a atelectasia pulmonar. Outras causas incluem reações transfusionais, infecções do trato urinário e, menos frequentemente, infecções da ferida cirúrgica.
A hipotermia per-operatória aumenta o risco de infecções da ferida cirúrgica, coagulopatias, eventos cardíacos e prolonga a recuperação. É prevenida com aquecimento ativo do paciente (mantas térmicas), fluidos intravenosos aquecidos e manutenção de temperatura ambiente adequada na sala de cirurgia.
Febre persistente ou que surge após o 3º-4º dia pós-operatório, especialmente se associada a dor localizada, leucocitose ou sinais de instabilidade hemodinâmica, deve levantar suspeita de complicações como abscesso intra-abdominal, fístula, infecção da ferida ou sepse, exigindo investigação por imagem.
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